Páginas

7 de abril de 2019

Meditação - antídoto para a ansiedade

Link para o material do retiro do fim de semana em Serra Negra, Meditação - antídoto para a ansiedade.

28 de maio de 2018

Viver e meditar - novo canal no Youtube


Queridos todos
Decidi oferecer reflexões curtas gravados em video num novo canal Viver e Meditar.
Aqui é o primeiro.

21 de agosto de 2017

Material do retiro de Inteligência Espiritual junho 2018

O material do retiro está aqui:
Podem fazer um download dos Powerpoints que usei AQUI.
O Video da Meditação AQUI
Não se esqueçam, meu novo canal de videos de 3 minutos, 3 vezes por semana "Viver e Meditar" Youtube e Facebook

Saudações de Paz para todos!
Ken

19 de dezembro de 2016

14 de dezembro de 2016

Maestria da mente (3) - os macacos descontrolados


Que fazer com os macacos soltos na cabeça?

"O objetivo de cada alma é a liberdade, a maestria, a liberdade da escravidão da matéria e do pensamento, a maestria da natureza externa e interna."
Esta é uma frase de Swami Vivekananda, um dos mais respeitados mestres espirituais dos tempos modernos. Ele foi praticamente o primeiro iogue indiano a aparecer antes dos olhos ocidentais. No primeiro Parlamento das Religiões Mundiais, realizado em Chicago em 1893, ele impressionou muitos com sua simplicidade e clareza. Apenas dizendo o óbvio, "Irmãs e irmãos da América!", ele foi aplaudido de pé durante dois minutos pelos sete mil presentes. Em determinado momento, chamou a atenção gentilmente para a prisão das nossas respectivas crenças. Contou a história de um sapo que acreditava que o poço onde morava era o único no mundo sobre o qual queria saber e que se recusava a acreditar que poderia haver outros.
"Isso sempre tem sido a dificuldade. Eu sou um hindu. Estou sentado no meu pequeno poço pensando que ele é o mundo inteiro. O cristão se senta no seu pequeno poço pensando que aquele é o mundo inteiro. O mulçumano se senta no seu pequeno poço pensando que ele é o mundo inteiro."

Esquecemo-nos confortavelmente que crenças e práticas são, na sua maioria, externas ao nosso ser mais profundo. Conforme vamos mais para dentro da experiência do estado interior, nos afastamos de palavras, símbolos, rituais e até mesmo das diferenças religiosas. Apesar das nossas diversas culturas e tradições, somos muito parecidos em nossos núcleos espirituais. É como se a mente estivesse presa em seu estado mais superficial onde ela não tem nenhuma chance de controlar a si mesma.
Em seu livro clássico, 'Raja Yoga', ele compara a mente com as palhaçadas de macacos. Não apenas qualquer macaco, mas um macaco bêbado pelo vinho do desejo, envenenado pelo escorpião do ciúme e possuído pelo demônio do orgulho. Mesmo se sua metáfora seja forte, todos nós podemos compreende-la. É fácil entender que, se apenas ficamos observando as travessuras do macaco, embora podemos acalmá-lo, não poderemos alterá-lo.
Procurando por um paralelo a esta falta de controle na espiritualidade ocidental, me deparei com um clássico inspirado de Thomas à Kempis, A Imitação de Cristo - do século 15.
"Sempre quando um homem deseja alguma coisa além da medida, ele imediatamente se torna inquieto. O homem orgulhoso e avarento nunca está em repouso; enquanto os pobres e humildes de coração permanecem em uma abundância de paz."

Apesar de sua linguagem arcaica, qualquer pessoa de qualquer tradição pode se relacionar com esta explicação das razões para a inquietação mental. Assim, precisamos saber como a mente funciona, a fim de controlá-la.
A partir da experiência de mais de quarenta anos como estudante e professor de meditação Raja Yoga, eu ainda me sinto como um novato quando vejo a infinidade de coisas que ainda preciso aprender sobre meu mundo interior. Posso dizer honestamente que o problema não é a mente em si, mas o que acontece nela. Num nível superficial, a meditação pode ser “não pensar em nada” na tentativa de produzir clareza. Assim dizem os adeptos modernos. Na realidade, tenho que entender o que está criando os milhares de "destroços" na mente e lidar com isso.
Em um nível básico, a mente é como uma praia onde as ondas da atividade mental estão quebrando. Há um mar de experiências passadas e possibilidades futuras que gira para lá e para cá, de uma forma aparentemente aleatória à medida que tentamos lidar com o que está sendo trazido à praia. Se permaneço como uma testemunha passiva do jogo das ondas, posso ficar anestesiado pela incessante inquietude. Eu esqueço que sou o mestre sentado na praia e não apenas um observador impotente. Eu não sou a praia da mente. Eu tenho uma mente. Eu sou o criador do meu mar de experiências e tudo que vem com ele. Eu tenho um intelecto através do qual posso escolher conscientemente o que eu quero pensar e o que fazer com ele, uma vez que eu o criei.
Talvez o maior obstáculo para o controle do mundo interior é a própria palavra "controle". A imagem imediata do controle da mente é alguém fazendo esforços árduos para restringir, regular ou aplicar um freio para as coisas que o mar está jogando na praia.

Na minha própria prática, tenho visto que o poder espiritual e a qualidade da atividade mental estão relacionados. É como se houvesse um interruptor interior do tipo dimmer. Conforme eu aumento meu poder espiritual através da meditação, há luz suficiente para enxergar as coisas claramente. A negatividade desaparece no fundo e um senso de controle natural surge. Conforme eu levo o dimmer para baixo, as sombras voltam trazendo consigo a inquietação.
Um exemplo fácil é entender a relação entre a expectativa e a plenitude. Conforme meu sentimento de plenitude interna sobe, não há nada que desejo ou espero dos outros ou das situações. Conforme ele vai para baixo, todos os tipos de desejos surgem tentando compensar o vazio interior.
Então, toda a questão da maestria mental está relacionada com a quantidade de energia espiritual que posso gerar e acumular. Com a minha bateria interna cheia posso enfrentar qualquer coisa. Se não, as situações quase sempre serão mais fortes que a minha capacidade de lidar com elas, trazendo consigo uma sequência interminável de pensamentos inúteis e negativos.
Então, como carregar a bateria? Vou abordar este tema no próximo post.

6 de dezembro de 2016

Maestria da mente (2) - meditação e mindfulness




Hoje há uma explosão de interesse pela meditação. Um estudo de 2012 nos EUA, publicado pelo National Health Institute, revelou que 8% da população praticou alguma forma de meditação naquele ano. Dentre elas, a meditação ‘mindfulness’ foi a que mais estava crescendo.



Como um estudante e professor de meditação por mais de 40 anos, só posso me sentir feliz que muitas pessoas estão tendo contato com esta prática de vida muito antiga. Dado o caos em que estão nosso mundo e vidas, há uma demanda reprimida por ela. Ao mesmo tempo, sou um pouco cauteloso com o marketing que cerca a meditação.



Na questão de meditação do tipo ‘mindfulness’, por exemplo, há uma infinidade de livros inundando o mercado. Ela aparece como uma panaceia para muitos áreas da sociedade. Títulos como “Algo” Mindful abundam. Basta substituir o “Algo” por Trabalho, Comer, Fazer Exercício, Liderança, Criança, Adolescente, Ser Pai e temos a promessa de um mundo maravilhosamente consciente. Fazer todas essas coisas de maneira mais 'mindful' obviamente traz benefícios.



Infelizmente, como tantas das terapias que aparecem de vez em quando, nenhuma delas pode ser a resposta para tudo. A forma como a ‘mindfulness’ é apresentada, faz com que ela pareça como algo inventado recentemente. Como se a prática da meditação não existisse há milhares de anos! Sabemos que a meditação em diferentes formas sempre esteve disponível para resolver nossos problemas da vida.



Para completar a inserção da ‘mindfulness’ no mainstream ocidental, até mesmo a palavra ‘meditação’ tem sido abandonada por muitos, de modo que não esteja mais associada a qualquer prática espiritual ou religiosa, de acordo com suas raízes budistas.

Os expoentes da ‘mindfulness’ dizem que seu objetivo não é controlar a mente. De acordo com a crença popular e as razões descritas no blog anterior*, sobre nossos músculos flácidos mentais e emocionais, eles dizem que não é possível ter tal controle. Em vez de controlar pensamentos, a ideia é observa-los. Assim, acalmamos sua atividade, aprendemos a lidar com a ansiedade e assim por diante.



Tudo isso é verdade. Só de praticar pausas significativas nas nossas vidas frenéticas e concentrar-nos na entrada e saída regular do ar em nossa respiração enquanto observamos o movimento da mente, do corpo e do mundo ao redor, é uma maneira definitiva de nos desacelerar e nos sentirmos calmos.



No entanto, tentar fazer isso em meio a uma crise grande é outra história. Por exemplo, diante de:

  • Notícias relacionadas a uma doença terminal de alguém próximo ou de nós mesmos
  • Uma calamidade natural ou humana
  • Ser roubado de todo o dinheiro e documentos
  • Passar por um divórcio
  • Perder um emprego
  • Envolver-se em um grave acidente de trânsito

A capacidade de estabilizar a mente em um segundo em tais situações requer uma longa prática e uma compreensão mais completa das razões por detrás dos acontecimentos. Especialmente sobre o funcionamento interno do ser, através da mente e do intelecto. Os traços de defiotos na personalidade, profundamente enraizados, não podem ser transformados pelo simples ato de acalmar-se. Isso exige aquilo que os antigos chamavam de tapasya - um estado intenso de compreensão e conexão com o ser e o divino, que poderia queimar as sementes dos mesmos. Em outras palavras, é possível mudar aspectos básicos da nossa personagem através da meditação, mas não qualquer meditação. Tem que ir além do primeiro passo de atenção plena.

O que muitos não sabem, é que o mindfulness está relacionado com a prática de sati, uma das sete etapas para a iluminação no budismo. Em 1881, Thomas William Rhys Davids, um magistrado britânico no então Ceilão (atual Sri Lanka), teve de julgar vários conflitos eclesiásticos budistas. Ao analisar textos sagrados em pali, a língua antiga do Budismo Theravada, ele sugeriu pela primeira vez a palavra "mindfulness" como sinônimo de "atenção" e como uma tradução aproximada do conceito budista de sati.
Sati, e seu homólogo sânscrito, smṛti, significam basicamente consciência, ou o que nos lembramos. Ou, mais simples ainda, lembrança, dependendo do contexto. Uma das primeiras etapas em tradições antigas védicas de meditação é estabilizar o smṛti, usando diversas técnicas. Uma vez que o próprio Buda nasceu centenas de anos após a meditação védica ter criado suas raízes, ele e seus seguidores provavelmente tiveram contato com estas tradições. Isso certamente é aparente nas muitas similitudes na prática de meditação, especialmente em relação ao sati.

Ao separar o sati das outras seis etapas para a iluminação, e tratar de ocidentalizá-lo, como aconteceu com tantos outros caminhos espirituais, pode ser que tenhamos perdido a sua essência. Há tanta banalização, cursos e "especialistas" de mindfulness, em uma procura de novas maneiras de ganhar dinheiro. Em meio a tudo isso, podemos estar enganando a nós mesmos achando que a simples experiência de ‘nos sentirmos bem’ possa resolver nossas questões mais profundas... enquanto as mentes continuam tão descontroladas como sempre.

Afinal, um dos princípios centrais do budismo é que não dá para escapar do sofrimento. Devemos entendê-lo e dar um jeito nele. Isso exige um trabalho um pouco mais fundo do que apenas entrar em um estado de atenção plena agradável. Os outros seis passos foram, de fato, essenciais para completar a jornada.

No próximo blog vou compartilhar acerca de um dos maiores mestres de meditação dos tempos modernos, Swami Vivekananda, que aborda toda a questão de controlar nossas mentes a partir de um ângulo diferente. Vamos ver como sati e smriti são exatamente a mesma coisa. Fiquem atentos.

5 de dezembro de 2016

Apresentação - Como sustentar-se internamente

Como prometido para os participantes do retiro, Como sustentar-se internamente a pesar de tudo, na Portal da Paz, perto de Belo Horizonte, Brasil.
O link para a apresentação está aqui.
 

26 de novembro de 2016

Maestria da mente (1) - o papel dos nãos



Quantos milhares de ‘nãos’ uma criança ouve até os seus seis anos de idade?

Não faça isso. Não toque nisso. Não responda.

Mesmo a palavra ‘infante’ significa ‘aquele que não fala’ - aquele que se cala e fica amuado em um canto. Ao longo da vida, e de forma silenciosa, vamos construindo uma resistência aos ‘nãos’. Entramos em apuros quando a nossa curiosidade se torna mais forte que a tentação e acabamos desobedecendo os nossos pais ou professores. Escutar um não se torna um problema perene.

A maioria das tradições religiosas têm também os seus mandamentos.

Não roube. Não minta. Não cometerás adultério ou violência.

Mesmo assim, não percebemos que a criação de listas de regras morais e sociais não garante que as pessoas consigam segui-las. O primeiro mandamento de amar a Deus antes de tudo é colocado de lado de acordo com a conveniência do momento. Ele é o último em quem pensamos, sobretudo quando as coisas dão errado e começamos a sofrer.

Certa vez uma pessoa próxima tornou-se presidente da câmara municipal de São Paulo. Ele me disse que um dos seus objetivos era reduzir as 11.000 leis locais para 8.000. Mesmo que o número tivesse diminuído no seu mandato, parece que o comportamento das pessoas não tenha alterado de forma significativa. Elas ainda jogam lixo na rua e estacionam em lugares errados. Tanto é assim, que a chamada ‘indústria das multas’ tornou-se uma importante fonte de renda para a cidade.
Em essência, o progresso tem significado mais leis, mais juízes e advogados e ainda mais infratores e prisões. O padrão se repete.

Muitos anos atrás, eu tinha acabado de voltar de uma longa viagem ao exterior. Durante minha ausência, o presidente fez uma desastrosa tentativa de conter a inflação galopante do país, algo do qual eu sabia vagamente. Ao visitar o sul do Brasil, fui convidado a participar de um debate tipo painel, na TV ao vivo, sobre assuntos atuais. Muito rapidamente o principal assunto no painel foi o de atacar o presidente. Quando chegou a minha vez, sem justificar o que o presidente tinha feito, eu mencionei que sentia compaixão por qualquer líder neste mundo caótico, que tentava controlar o que as pessoas fazem, quando individualmente quase ninguém faz um esforço para controlar suas ações e muito menos suas mentes. Esta posição mais espiritual imediatamente tornou-se o foco das críticas dos painelistas.

Talvez se alguém mais no começo das nossas vidas tivesse nos ensinado como controlar nossas mentes, todo o caos e os inúmeros regulamentos que tentam contê-lo seriam muito menores. O problema é que não existem candidatos para ensinar o ‘controle dos pensamentos’. Aqueles que são “nossos mais velhos” também não aprenderam esta arte. Alguém que simplesmente dizia ‘não’  não conseguiu substituir em nós uma compreensão e controle naturais do que fazer e do que não fazer.

Foi assim que crescemos com músculos mentais e emocionais muito flácidos. Muitos que começam a prática de meditação afirmam que ela não funciona. Eles esquecem que, exceto para os poucos sortudos, suas mentes nunca trabalharam num estado óptimo.

Aprendemos a falar, andar, cantar e até mesmo cozinhar. Ninguém jamais nos ensinou como pensar. A atenção fica pulando como abelhas em um campo de flores. Podemos estar sujeitos a até 100.000 destroços da mente em um dia*. Pensamentos, sensações, memórias, inspirações, ideias, sentimentos e desejos – todos disputam uma posição privilegiada na tela das nossas mentes. Enquanto isso, observamos o caleidoscópio que esta falta de controle produz a partir da realidade externa. Tentar enxergar claramente as coisas através destes pedacinhos da vida flutuantes é um desafio permanente. É por isso que sentar-se, ir para dentro e dar de frente com uma mente descontrolada, não encoraja muitos a praticarem a meditação.

O que fazer? Aprender a ter maestria sobre a mente ou permitir que ela continue do jeito que é?

No próximo blog vou falar sobre este aspecto e sobre o que é chamado meditação mindfulness comparando com formas mais antigas de meditação.

1 de maio de 2016

Auto soberania - indo além do ego limitado

Aqui é o material do retiro que conduzi sobre este tema em Serra Negra nos dias 30/04 e 01/05/2016:
Apresentação Powerpoint.
Video da meditação.
Análise das virtudes.

12 de março de 2016

Contemplação - exercícios em silêncio


Estes são alguns exercícios que propus para os participantes de um retiro de silêncio no Centro de Retiros Om Shanti perto de Delhi. Eles são baseados na prática de Raja Yoga e abrangem os aspectos mais básicos. Você vai observar que o primeiro passo é muito semelhante ao que as pessoas chamam de mindfulness.

Praticar os exercícios a seguir de novo e de novo, de modo que, gradualmente, você não precisa ler o texto, mas que eles se tornem registrados em você.

1. Centrar-se no presente

Sente-se com seus olhos ligeiramente abertos. Torne-se consciente do mundo ao seu redor. Ouça os sons que te rodeiam. Perceba as cores e formas. Sinta o ar que  inspira e expira. Sinta que você está no centro de 360​​°de atividades em torno de você mesmo. O passado terminou e o futuro ainda não começou. Você está literalmente no momento presente. É o único tempo real que você tem. Aprecie-o por cinco minutos sem pensar muito. Basta ter atenção plena no que está acontecendo ao seu redor.

2. Centrar-se na consciência da alma

Assim como você está sentado em seu assento fisicamente, imagine um lugar sutil alguns centímetros atrás do ponto entre as sobrancelhas. É a sede onde a energia consciente ou a alma se senta. Todos os pensamentos, sentimentos, desejos e ideias, bem como as sensações do corpo chegam a este ponto para ser processados. Sentado neste assento sutil, você aprecia as informações que chegam e decide sobre a direção que você quer tomar. Passe alguns minutos nessa consciência de ser a alma trabalhando através do corpo físico. Disfrute a sensação de comando que isso lhe dá.

3. No centro da sua vida

Como um ser espiritual, você não está apenas no centro de tudo o que está acontecendo ao seu redor, mas você está no centro de sua vida. Há uma rede de papéis, relações e responsabilidades que se espalha a partir de você. Você está conectado através deles com pessoas, objetos e situações. Assim como o centro de um círculo não se move, você está quieto e calmo no centro de sua vida e atividades. Conforme você se torna mais tranquilo, isso tem um efeito imediato sobre tudo o que está ligado a você. Sem mover internamente, aproveite para servir toda a sua rede com vibrações pacíficas. Esteja ciente de que você é o criador da realidade de sua vida.

4. Experimentando sua eternidade

Torne-se centrado na consciência de ser a alma no corpo. Observe o mundo físico ao seu redor, sem pensar muito. Observe as situações atuais em que você se encontra, como se você estivesse assistindo as cenas de um filme. Como um ser espiritual passando por esta experiência humana, esteja ciente de que em algum momento no passado, você entrou neste corpo físico, quando ele ainda estava no ventre de sua mãe. Você nasceu, cresceu, passou por muitas experiências e agora você está meditando sobre a sua verdadeira natureza. Em algum momento futuro, você, a alma, deixará seu corpo e continuará a sua jornada. Esta vida então se torna um capítulo de um livro. Você é a energia que dá vida a todo o livro e não apenas a este capítulo. Você é a energia consciente que continua. Você veio de sempre. Você continuará para sempre. Porque você não tem qualquer tamanho ou dimensão física, nada pode destruí-lo. Você é eterno. Fique nessa consciência por alguns minutos.

5. O estado interior de paz, amor e felicidade

Quando você está em um estado de descanso, como descrito acima, tem a oportunidade de experimentar as qualidades mais profundas que são inatas à alma. Torne-se o observador e experimente que, quando você está quieto, há paz, amor e felicidade naturais. Estas são qualidades que sempre estiveram na alma. À medida que avançamos de uma vida para outra (ou de um capítulo para o outro), muitas coisas são gravadas em cima dessas qualidades originais. Com o tempo, você acaba esquecendo-as. Elas ficam enterradas pelos desejos e considerações momentâneos. Desde que você tenha voltado para o seu centro interior, agora pode apreciar a diferença entre o que você realmente é profundamente e o que você se tornou, neste momento em sua vida. Permaneça alguns minutos neste estado profundo de prazer espiritual.

6. Ligação com Deus, fonte de poder espiritual

Como uma alma, você não é feito de energia material. Sua existência está em outra dimensão também. Há uma dimensão de luz sutil para além deste universo físico, que as diferentes tradições religiosas chamamos de céu, nirvana ou simplesmente, o lar das almas. Aquele que nós chamamos de Deus, Alá, Javé ou Shiva também reside lá. Temos tentado fazer a religação com Ele na oração muitas vezes.
Ao ficar centrado na consciência da alma e nas suas qualidades inatas de paz, amor e felicidade, você gradualmente se afasta da dimensão física e se torna um observador silencioso. Internamente, você fica consciente dessa dimensão de luz e se aproxima Daquele que é como um sol sutil, irradiando poder espiritual. Mentalmente, visualize o encontro entre a alma e Deus. Abra-se para receber os raios deste poder espiritual. Você vai se sentir como se sua bateria estivesse sendo recarregada, que o seu amor, paz e felicidade estão realmente sendo ativadas. Permaneça nesse estado de profunda apreciação de sua conexão com a Fonte, por mais alguns minutos.

7. Relacionamento com Deus

Deus não é apenas a fonte de poder espiritual, mas também é a essência de todos os relacionamentos. Concentre-se na consciência da alma e fique mentalmente conectado com Deus, como no exercício anterior. Inicie uma conversa com Ele em qualquer um dos relacionamentos que você considera importante. Ele é a Mãe, Pai, Professor, Guia, Amigo, Amado e assim por diante. Imagine que a conexão entre você e Deus gira em torno dessa relação. Inicie e continue uma conversa durante o tempo que você quiser do seu lado da relação - como filho, estudante, seguidor, amigo, amante e assim por diante. Deixe-se aberto para as respostas que vierem para você na conversa. Permaneça nesta intercâmbio amoroso por alguns minutos e retorne recarregado e pronto para enfrentar as situações de sua vida.

12 de janeiro de 2016

Para os participantes do retiro "A Última Fronteira"

Link para o vídeo "Deep Meditation Experience" (Alta resolução)
Link para a apresentação em Powerpoint que contém as perguntas sobe o ego limitado.
Aproveitem!

18 de dezembro de 2015

Download da palestra sobre auto-estima de Ken, 17-12-15


No dia 17 de dezembro eu dei esta palestra pela Web - "Dê uma guinada no seus autoestima para 2016" .

Aqui o link para audio, video e Powerpoint,

16 de novembro de 2015

Como o tempo passa!




A visão típica do tempo é mais ou menos assim. 

Alguns de nós que temos idade suficiente, ficamos um pouco assustados quando vemos nossa fotografia de 20 anos atrás. Envelhecemos. Temos menos cabelo, talvez menos dentes e, certamente, mais rugas. Talvez não tenhamos feito todas as coisas que tínhamos planejado. O tempo passou e cobrou seu preço de nós. Então, o que é essa coisa misteriosa que costura dias, meses e anos de forma tão inexorável? Não podemos vê-lo, ouvi-lo, sentí-lo, saboreá-lo ou tocá-lo. O tempo nos muda - nossa aparência física e experiência interior – mas não conseguimos mudá-lo.

Dizemos que ele voa ou se arrasta, mas na verdade ele só rola para frente com a mesma constância de sempre. Não queremos desperdiçá-lo. Estamos sempre inventando novas tecnologias que supostamente nos ajudarão a "salvá-lo". Criamos todo tipo de novo veículo terrestre, aéreo ou marítimo para que possamos ir de um lugar para outro em menos tempo. Mas, muitas vezes esquecemos que o tempo também é a vida.

Vemos ciclos de tempo. A Terra gira sobre seu eixo e nós o chamamos de um dia. Ela faz uma volta completa em torno do Sol e chamamos isso de um ano. Podemos medir o tempo, mas seus segredos mais profundos nos escapam.

Há uma história sobre um turista rico que visitava uma aldeia de pescadores na Amazônia. Ele tentou convencer um pescador de contratar mais pessoas para ajudá-lo.

A conversa foi assim:

Pescador(P) - Por que eu iria fazer isso?
Turista(T) - De modo que você pode pegar mais peixe.
P - Por que eu iria fazer isso?
T - Então, você poderia ganhar mais dinheiro para investir em sua atividade, talvez comprar mais alguns barcos.
P - Por que eu iria fazer isso?
T - Com mais dinheiro você poderia ter algum tempo para relaxar.
P - Mas eu já estou relaxado. Por que eu iria querer mais algum tempo?
T - Então você poderia fazer o que faço. Durante um mês a cada ano eu me dedico à pesca e deixo todos os meus problemas para trás.
P - Mas eu já estou pescando ...

Você pode ver para onde a história está indo.

O mistério do tempo tem nos assombrado ao longo da história, ao ponto de termos uma relação ambígua com ele. Queremos salvar o tempo, tanto quanto pudermos, mas quando o temos disponível, será que sabemos realmente como fazer o melhor uso dele? Trabalhamos como loucos durante o dia pensando sobre o tempo que teremos para relaxar à noite. Lutamos durante a semana para desfrutar do nosso fim de semana. Nos matamos durante o ano para desfrutar das nossas férias anuais e do nosso merecido descanso. Os anos passam e começamos a planejar nossa aposentadoria, que passa mais rapidamente do que queremos. A velhice traz doença e, finalmente, a morte do corpo acontece. Assim, achamos que nosso tempo acabou. Mas, será?

Compreender o tempo a partir da perspectiva de ser uma alma eterna, desempenhando um papel neste enorme palco do mundo, nos leva a um nível diferente de percepção, no qual o tempo se torna tão importante como a nossa consciência. A vida é uma mistura feliz de ambos.

Trecho de um livro que está para sair. Aguardem:
O Carrossel do Tempo, por Ken O'Donnell

Video "Deep Meditation Experience"


Link para o video em alta resolução. 

6 de novembro de 2015

O custo invisível de conflitos


Há conflitos de todo tipo entre seres humanos. Nesta época de pânico e confusão por causa da crise financeira, eles se tornam mais exacerbados que nunca. Se conflito pode ser definido pelo atrito que acontece quando duas ou mais pessoas ou grupos tentam ocupar o mesmo ‘espaço’ ao mesmo tempo, a possibilidade que isto aconteça neste momento atual de caos, é muito grande.
Este ‘espaço’ pode ser físico no caso de duas pessoas com pressa tentarem pegar o último taxi no ponto. Pode ser emocional quando as partes envolvidas querem possuir as mesmas terras históricas. Pode ser uma briga por incompatibilidade psicológica entre posições, avaliações, interpretações ou ideologias. E geralmente custa caro.
Com tudo que passa, os pavios curtos estão soltos e levam a disfunções nas nossas organizações. Os contatos entre pessoas se tornam mais estressantes e as regras de convivência ficam menos claras. Os relacionamentos, a produção, os planos, os clientes e consumidores e por fim a sociedade e o meio-ambiente – todos sofrem.
Pelo fato de que os conflitos façam uma parte central do convívio humano desde o começo da história registrada pelo menos, dificilmente encontraríamos alguém que nunca tivesse sofrido prejuízo pessoal por causa deles. O problema não são os conflitos em sí mas como os percebemos e lidamos com eles. Bem compreendidos e trabalhados, eles são propulsores de mudanças positivas e necessárias. Se não, podem causar grandes perdas e atrasar nossos melhores planos a pesar das intenções nobres. Frequentemente, não é a melhor idéia que prevalece, mas o ego mais forte ou melhor amparado.
No contexto de empresas, a lista de vítimas de conflitos é grande - oportunidades de negócios perdidas, separação de sócios, desmotivação, alta rotatividade de pessoas, mau atendimento a clientes e eventualmente sabotagem, litígio, assédio e até agressão séria. Dizem que as pessoas não deixam empresas quando pedem as contas. Deixam chefes ou colegas intragáveis.
Pela velocidade alucinante das mudanças e pela defasagem entre o que sabemos fazer o o que temos de fazer,ficamos sem o tempo necessário para compreender e administrar os conflitos no dia-a-dia. A falta de tempo também nos remete a um tratamento superficial e sintomatico dos conflitos sem ir para suas causas verdadeiras. Isso leva a maioria a simplesmente fingir que não acontecem, tentar fugir deles ou abafá-los com os famosos 'panos quentes'. As situações que os conflitos não-resolvidos produzem, perduram e crescem como um cáncer sútil organizacional.

As pessoas realmente só tentam resolvê-los quando são difíceis e caros demais para solucionar. 
Como disse o poeta americano Ralph Waldo Emerson “Só estudamos a geologia depois do terremoto”. O único problema é que o terremoto já causou seus danos.
Quase sempre, os perdedores maiores de conflitos grandes entre interesses econômicos, governos e tradições religiosas são a sociedade e o meio-ambiente. Milhões de pessoas comuns alimentam com suas vidas as guerras e pobrezas causadas pelas intransigências dos políticos As espécies continuam desaparencendo, as floresta minguam e os céus se tornam mais negras e o clima mais quente – muitas vezes pelos embates e degladiações dos ‘líderes’ que não querem ou não podem chegar aos acordos necessários para um mundo sustentável.
Os benefícios que surgem da compreensão para prevenir e lidar com conflitos de uma forma sistêmica são enormes. O lado bom é que conflitos deixam às vistas exatamente os problemas que precisam ser resolvidas e frequentemente apontam às pessoas que precisam entrar, sair ou mudar de lugar na organização.
Imagine uma espécie de ‘egômetro’ na sua empresa capaz de medir o custo de egos exacerbados e seu efeito nos números mensais. Os conflitos definitivamente impactam no balanço. O problema é que são difíceis de medir e portanto ignorados em nome da racionalidade.
Devemos sempre procurar compreender as complimentaridades escondidas nas aparentes incompatibilidades. Há uma história do temor que um rei do atual estado de Gujarat (costa oeste da Índia) tinha quando grandes contingentes de ‘parsis’ chegaram vindo da atual Iran. Eles eram praticantes da religião de Zoroastrianismo (adoradores de fogo) expulsos pelos muçulmanos.
Para mostrar que não havia espaço para dividir com tanta gente, ele mandou um copo grande de leite completamente cheio. A resposta do líder dos parsis foi devolver o copo acrescentado de um pouco de açucar com a mensagem:‘Podemos conviver como leite e açucar’. Assim tem sido até hoje. Não é uma má idéia.

8 de outubro de 2015

Navegando bem no mar dos relacionamentos (2)


Em um post anterior eu escrevi sobre o comércio emocional que acontece nos relacionamentos íntimos. Nós medimos uns aos outros por aquilo que damos ou recebemos. Um dos aspectos que faz com que um verdadeiro intercâmbio de bons sentimentos mútuos seja difícil é a tendência quase onipresente de ver defeitos. Três pessoas estão falando e uma delas vai embora. Os dois que permanecem imediatamente falam sobre quem? Geralmente, sobre aquele que acabou de sair e nem sempre de uma forma cortês.
Certa vez uma mulher me procurou depois de uma palestra pública em São Paulo para perguntar sobre como resolver o problema que estava tendo com seu marido. Nossa conversa foi mais ou menos assim:
- Eu realmente não sei o que fazer com o meu marido. Ele está indo só para o brejo. Ele fica irritado em troca de nada. É muito difícil falar com ele. Ele só me corta. Ele é ... (aqui ela começou a recitar uma lista grande de seus defeitos.)
- Você já tentou falar com ele?- Centenas de vezes! Ele simplesmente não me escuta. Estou realmente preocupada. Ele pode  ter um enfarto a qualquer momento. Às vezes eu acho que ele já está com um pé na cova.
- Ele não pode ser tão terrível assim. Será que ele tem não nenhuma virtude?(Aqui ela ficou em silêncio antes de responder, como se para mostrar que era algo que não estava acostumada a fazer.) Deixe eu pensar. Estou com ele há trinta anos. Ele costumava ser muito generoso e amoroso, mas faz muito tempo que eu não vi sinais disso.
- Você realmente falou com ele sobre isso centenas de vezes?- Não exatamente. Para dizer a verdade, apenas cinco ou seis.
- Você acha que, ao focar-se em seus defeitos, você está ajudando-o a mudar?- Provavelmente que não.
- Vamos dizer que ele esteja fazendo esforço para mudar seu estado terrível. Imagine que ele também tenha se matriculado em um curso de meditação. Ele revelaria este esforço para voce?- Provavelmente que não.
(Aqui eu dei uma imagem que ela não iria esquecer.) Você diz que ele tem um pé na cova. Imagine que ele esteja deitado em um caixão tentando sair. Você sabe onde sua atitude de só ver seus defeitos coloca você? Sentada na tampa!Ela deu um pequeno salto e disse:
- Oh meu Deus do céu! O que devo fazer para ajudá-lo então?- Não significa que você não vai estar ciente de seus defeitos. Mas você tem de treinar-se para ver suas virtudes por detrás deles; é como ver diamantes na forma bruta por entre as pedras.
Nós conversamos um pouco mais e ela partiu determinada a mudar sua atitude.
Este é provavelmente o aspecto mais importante de ser capaz de viver e trabalhar com outras pessoas. Se eu quero que eles melhorem, a última coisa que eu deveria fazer é um rosário de seus defeitos e repeti-los para mim mesmo e para os outros. Eu deveria me enfocar me nas suas especialidades.
A afirmação famosa vem à mente:
Onde vai a atenção, a energia flui.
Onde flui a energia, a vida cresce.

Se eu der atenção a defeitos dos outros, eu os ajudo a cultivá-los não só neles, mas em mim mesmo.
Uma vez eu estava passeando pelas ruas de Budapeste e, apesar de poder ler as placas e outdoors,  eu não sabia o que significavam. (Húngaro é uma das cerca de cem línguas que usa letras romanas igual ao português.)
Da mesma forma, só posso identificar e pensar sobre o significado de defeitos, se eu também "falar a língua deles”. O desafio é ser capaz de se concentrar nas virtudes dos outros, apesar de estar ciente dos seus defeitos. Isto ajuda as pessoas e a mim também. Afinal, nas profundezas da alma, eu também falo a língua de virtudes.

28 de agosto de 2015

Navegando bem no mar dos relacionamentos

 

Conexão e comunicação

Eu tenho um novo notebook que tem apenas uma conexão micro HDMI para a apresentação de vídeo. O projetor que estava disponível para um retiro recente sobre o tema deste post era velho e contava com apenas um conector VGA. Eu tinha um adaptador, mas simplesmente não conseguia fazê-lo funcionar. Um problema de conexão e comunicação. Coincidência? Como interagimos e como nos comunicamos são exatamente os dois campos que definem a qualidade de qualquer relacionamento. Embora a maioria das pessoas havia vindo para o retiro para entender como consertar ou fortalecer o relacionamento com seus esposos ou namorados, o tema foi muito mais amplo.

Existem quatro relações básicas:
  • Comigo
  • Com os outros
  • Com o mundo em torno de mim
  • Com Deus

Eu comigo

De certa forma eles estão todos conectados e todos começam comigo. Como eu entendo meu eu interior e aprecio quem eu realmente sou, determina todo o resto. Se eu não for capaz de criar um senso de valor interior que permanece relativamente constante, não importa o que aconteça, isso acaba afetando a forma como me relaciono com os outros, com o mundo e com Deus. Em termos simples, se eu não amo a mim mesmo eu não posso amar os outros, o mundo ou até mesmo Deus.
Então, como posso me conectar com meu eu profundo?
Enterrado sob o turbilhão de pensamentos, sentimentos, memórias e apreensões confusos que geralmente compõem o nosso estado de consciência superficial, existe o que pode ser chamado de fundação do eu. Ela é composta por algumas qualidades básicas, tais como amor, paz, felicidade, verdade e pureza. Se eu remover todas as associações que brotam da minha identidade física - idade, sexo, cultura, religião, origem social e educação - este eu original que sou ainda assim existe, como um ser espiritual com as qualidades acima. Devido a não ter conhecimento deste segredo profundo ou não ter o poder de expressar essas qualidades de maneira constante, eu as procuro nos outros e no mundo. Aí o dilema. Eu desejo e espero a paz, o amor e a felicidade dos outros e do mundo  quando eu já as tenho em mim mesmo. Por alguma razão que desconheço, eu não consigo acessá-las. Não importa o que as pessoas ou as coisas façam, o resultado final é que estas não podem compensar o amor, a paz e a felicidade que eu fui incapaz de me dar. Quando qualquer relacionamento é motivado por essa falta de satisfação interior, ele nunca pode realmente funcionar por muito tempo.

Codependência

Vemos uma típica relação de codependência entre duas pessoas. O acordo tácito é: “Eu vou te amar, se você me amar. Você infla o meu ego, eu vou aumentar o seu. Se não, cuidado”. Cada lado acha que o outro precisa ser uma espécie de fonte constante de amor, paz e felicidade, quando nenhum dos dois é. A base de um relacionamento sólido e de longo prazo é o dar, e não o tomar ou o tentar tomar. Mesmo assim, não é apenas uma questão de dar. É dar sem contar o que eu dou. "Eu dei pelo menos dez exemplos de quanto eu amo você nos últimos seis meses. Você não me mostrou nenhum. Não é justo!"
Entretanto, não são apenas os episódios de amor e respeito para os quais mantemos um registro. Todos os tipos de ações estão sob o escrutínio de ambos os lados.
Outra conversa típica entre dois codependentes:
- Quantas vezes eu lhe disse para não me interromper quando eu estou falando para os outros?
- Mas você faz exatamente a mesma coisa comigo. Eu não posso contar as vezes que você já fez.
- Eu odeio quando você tenta me controlar.
- Mas não é isso que você faz comigo o tempo todo?
- Etc. etc.
Este tipo de comentário ou pensamento permeia os relacionamentos codependentes. Em vez do amor genuíno e incondicional, há uma espécie de comércio emocional. O amante e o amado se tornam contadores de ações um do outro. A compreensão e a compaixão tornam-se reféns do jogo de ganhar ou perder do ego.

Um pé na cova

Depois de uma palestra em São Paulo uma vez, uma mulher veio até mim para reclamar sobre o marido - que ele não era bom, que demonstrava um comportamento estranho nos seis meses anteriores, que ela tinha falado com ele "centenas" de vezes sem resultado, que a forma como ele estava indo, provavelmente morreria e assim por diante. Perguntei-lhe se ele, por acaso, tinha quaisquer virtudes. Ela hesitou por um bom tempo antes de dar uma resposta. Esse silêncio provavelmente significava que ela não tinha pensado sobre suas virtudes por meses ou mesmo anos. Perguntei-lhe se a sua visão constante de defeitos do marido o ajudava ou o prejudicava. Ela respondeu que claro que não iria ajudá-lo. Então eu deixei com ela uma metáfora poderosa: "Imagine que seu marido esteja fazendo um esforço incrível para melhorar. É como se ele estivesse deitado em um caixão tentando sair. E lá você está sentada na tampa! "Ela deu um pequeno sobressalto quando ouviu isso. Quando esta ficha caiu, ela realmente me agradeceu por ter lembrado como nossa visão pode ajudar os outros a mudarem ou pode condená-los a nunca sairem do seu patamar.
Não é fácil navegar no mar de relacionamentos, especialmente com outras pessoas que ocupam as mesmas "rotas marítimas". Mas meu pensamento pode tornar o viver e o trabalhar com outras pessoas mais fácil ou mais difícil.
(a ser continuado...)

30 de julho de 2015

Não mate o ego, limpe-o (Parte 3)


Na canção popular, 'Modinha para Gabriela', de Dorival Caymmi e cantada por Gal Costa, é dito:Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou sempre assimVou ser sempre assim, Gabriela, sempre Gabriela
No meu último post sobre não matar o ego, eu compartilhei sobre as limitações de olhar o mundo através do buraco de uma fechadura. Com desculpas a qualquer leitora que se chame “Gabriela”, vou usar aqui o exemplo desta canção. Pelas palavras, fica claro que ela está presa em sua identidade de Gabriela - o que provavelmente inclui seu corpo, seus papéis e, mais definitivamente, a sua história. Ela está tão encerrada na idéia de “ser” Gabriela que nem acredita que pode mudar.
Às vezes ficamos tão absortos em nós mesmos, que não conseguimos enxergar além das nossas próprias limitações. Lembro que uma vez, eu estava me preparando para uma apresentação e quando mexia com o projetor, uma mulher participante do curso me perguntou se poderíamos ter uma conversa sobre algo pessoal. Eu disse a ela que eu estava ocupado, mas que ficaria muito feliz em sentar com ela durante o intervalo. Aparentemente ela não me ouviu e começou a me contar sua história. Depois de algum tempo, eu a interrompi e disse que não estava ouvindo porque realmente precisava terminar o que estava fazendo. Então, mais uma vez eu disse que iria encontrá-la durante o intervalo. Ela continuou falando por mais cinco minutos enquanto eu continuava a fazer o que eu estava fazendo. Finalmente, ela me agradeceu por conceder-lhe aquele tempo e foi embora. Eu não tinha idéia do que ela estava falando. Quando me encontrei com ela no intervalo, perguntei se ela queria falar comigo naquele momento. Ela disse que estava tudo bem, uma vez que já tinha falado comigo mais cedo de manhã. Então ocorreu-me o quanto podemos estar tão absortos em nossas histórias, a ponto de não perceber o que está acontecendo ao nosso redor. (Ela falou dez minutos sem perceber que eu estava fazendo outra coisa!)Quando nós nos enfiamos em uma identidade, caracterizada pela canção acima, o ego tipo-Gabriela filtra tudo.Se houver ofensa, Gabriela é a ofendida. Se houver insegurança, Gabriela se perde no jogo de se comparar com os outros, de comparar seu presente com seu passado e o presente com uma série de possíveis futuros fantasiados. Ela tende a ver os defeitos dos outros à luz de suas próprias virtudes e suas virtudes, à luz da sua falta delas. Ela precisa “estar certa” a maior parte das vezes, de modo a satisfazer o seu próprio senso de ser Gabriela.O diagrama mostra o que precisamos fazer para mudar a autoreferência constante para os nossos próprios egos tipo Gabriela.Há três elementos que precisamos introduzir em nossas conversas internas:
  1. Eu sou o ser espiritual - energia consciente ou alma - e eu tenho um corpo. Ele é meu instrumento para expressar o que está em mim e experimentar o resultado dessa expressão. Esta consciência abre a porta para perceber outros como almas e até mesmo de intuir as dimensões além desta dimensão física. Afinal, se sou uma energia espiritual - e não a minha forma material - há outras questões a considerar.Se eu não sou matéria, então, eu não vim dela. O lugar que tentamos chegar na meditação ou oração e que é lembrado em todas as tradições religiosas - o céu ou nirvana - é uma dimensão de luz, o lar das almas.
  2. Eu sou o ator e eu tenho diversos papéis relacionados com a família, profissão, interações sociais e até mesmo cultura, religião e nacionalidade. Eu sou um e os papéis são muitos. Se eu tiver essa consciência, posso administrá-los melhor. Quando estou com minha família, desempenho papéis de família. No trabalho, eu coloco esses chapéus específicos e faço o que tenho de fazer. Partindo de uma identidade sólida, eu posso controlar melhor meus pensamentos e sentimentos relacionados a cada função. Posso ver que cada ser humano é um ator nesta peça da vida. Eu não posso controlar os  papéis de qualquer outra pessoa. Tenho apenas que prestar atenção aos meus próprios, para entender como harmonizar com os dos outros.
  3. Eu não sou a minha história. Eu sou o protagonista dela. Em um determinado momento durante aa gravidez de minha mãe, eu vim para o útero e comecei a dar vida ao meu corpo minúsculo. Em outro momento futuro, vou deixá-lo. Desta forma, eu posso entender que tenho existido antes desta vida e, mesmo depois também, eu, a alma, vou continuar uma história maior. A história desta vida é apenas um capítulo de um livro. Quando eu uso essa perspectiva, eu posso começar a usar o meu potencial inexplorado para fazer mudanças no curso desta vida.
Utilizando estas três formas poderosas de consciência, podemos realmente mudar a forma como interagimos neste mundo, através das coordenadas do ego limitado - corpo, papéis e história. Deste modo, não precisamos matar o ego (o que de fato significaria matar essas três formas). Temos que aprender a operar melhor através dele sem negar sua importância.