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31 de dezembro de 2013

Há coisas mais importantes na vida que reuniões..



Definições não bastam 

Havia mais ou menos uma hora que a reunião não saía do ponto sobre qual dos componentes oferecia menos resistência elétrica. As profundas olheiras refletiam as longas horas que eles estavam debruçados sobre o enigma da supercondutividade, ao qual já dedicavam vários meses de experimentação e discussão.
O líder do grupo, um renomado cientista por seus impecáveis métodos investigativos dos segredos da físico-química sugeriu:
— Estou certo de que, se conseguíssemos aumentar a quantidade de bismuto no composto de óxido, chegaríamos mais perto dos resultados desejados. Pensem no que o sonho da resistência zero nos traria — chips ultra-rápidos, eletromagnetos superbaratos e tantas outras coisas.
Sua mente vagava pelas fantásticas possibilidades quando um colega interrompeu-o.         
— Pessoalmente, estou mais inclinado pelo estrôncio. Seja como for, até onde chegamos até agora?
O professor, arrancado de seus devaneios, sorriu.
— Alcançamos 23 graus de congelamento absoluto e...
De repente, a sala de reuniões do laboratório abriu-se e um assistente, trazendo um telefone sem fio, declarou:
— Professor, telefone para o senhor.
O homem não conseguiu disfarçar a sua irritação.
— Eu disse que não queria ser perturbado!
— É urgente, senhor. É sua esposa.
Ele pegou o telefone com má vontade.
— Quantas vezes já lhe disse que não me telefonasse aqui? O que foi desta vez?
— Aconteceu uma coisa terrível — a mulher soluçava do outro lado. — Nosso filhinho foi atropelado por um carro na frente de casa. Eu o deitei aqui e chamei a ambulância, mas não consigo sentir seu pulso.
— Ok. Fique calma. Logo estarei aí.
O telefone escorregou de sua mão quando ele voltou-se para os colegas. Aquele com quem estava falando, perguntou:
— O que houve? Parece que o senhor viu um fantasma. Professor? Professor?
O homem segurou-se no tampo da mesa e saiu cambaleando da sala sem sequer recolher seus papéis...

Explicação

            Se a busca das leis físicas leva ao profundo entendimento e à utilização da matéria e da energia, nossa vida e nossas esperanças mais profundas caminham num ritmo diferente. De tempos em tempos somos sacudidos por fatos que desafiam a nossa capacidade intelectual. Quando acontece um imprevisto, precisamos de  algo mais que meras definições. Precisamos do poder interior.

            A meditação nos ajuda a manter o equilíbrio diante do inesperado. Num dado momento, podemos estar plenamente lúcidos e eficientes quanto às nossas capacidades profissionais e, no momento seguinte, calmos e preparados para lidar com as dificuldades pessoais que porventura vierem a surgir. Existe um poder de concentração superior que controla a tendência à especulação inútil e a paciência de esperar pelos fatos.

Do livro: Reflexões para uma vida plena, Ken O'Donnell, Editora Integrare

26 de dezembro de 2013

Os segredos de manter-se feliz, não importa o que acontece




Pense na última vez em que você ficou chateado por causa de algo trivial. Quando, por exemplo, você se trancou fora da sua casa e, em vão, golpeou a porta. Ou quando foi anunciado que seu voo atrasou três horas devido a uma falha mecânica e você perdeu o seu compromisso. Ou quando você mudou para uma fila menor no supermercado e a pessoa  à sua frente, já no caixa, decidiu pagar todas as contas, de gás, luz e água… Ou quando o trânsito estava ruim e por isso você decidiu pegar o  seu atalho mais curto favorito e pegou um engarrafamento pior do que o  anterior. Nossas vidas estão cheias de tais eventos imprevisíveis que vêm como desafios ao senso de bem estar. Sacrificamos a nossa felicidade a essas situações, por nada. O único retorno por ficar chateado é uma dor de cabeça. Se isso se torna crônico, possivelmente seremos candidatos a ter uma vida mais curta.

Certa vez, eu estava de carro em Buenos Aires com um amigo. Quando o semáforo ficou verde, o carro estagnou. De repente, ouvi um taxista, que passou voando à minha direita, gritando a palavra 'mongólico' para mim. Ele, na realidade gastou sua fúria à toa pois, como eu ainda estava aprendendo espanhol, não entendi a expressão. Meu amigo me disse que a pessoa havia acabado de me chamar de imbecil. Mais tarde, eu fiz um cálculo rápido: se eu ganhasse cinco segundos a cada semáforo, no fim do dia, eu teria 10 minutos de tempo extra. Em minha mente eu criei uma caricatura de uma pessoa no semáforo cheia de raiva gritando 'mongólico' para todos os que se atrevessem a impedir o seu avanço. Dirigindo e arrancando nos semáforos seis dias por semana, durante 30 anos, chegaria a aproximadamente 2 meses de tempo extra! Mas, o quão mais curta seria a vida dele ao viver em tal estado permanente de ansiedade?

Recentemente, eu perguntei ao público de uma palestra, em Orlando, nos Estados Unidos, se a vida deles era confortável. Na autoestrada de Tampa, eu vi um enorme reboque levando um carro e um carro de golfe – combinação perfeita para um amante do conforto itinerante. A maioria então disse sim. Com isso, perguntei se eles ficam felizes, não importa o que aconteça. Eles disseram que poderiam permanecer mais ou menos felizes até que um próximo teste viesse, como aqueles que citei acima: uma chave perdida, um voo atrasado, uma fila pequena ou um atalho congestionado. Estes são apenas testes triviais. Imagine o quanto nós perderíamos se os testes fossem realmente importantes, como ter a nossa casa incendiada ou uma pessoa querida diagnosticada com câncer maligno. O fato é que precisamos de um grande estoque de entendimento e poder espiritual para passar pelo caos de cada dia.

Os segredos que aprendi

principalmente através de minha conexão com os ensinamentos da Brahma Kumaris, que me ajudaram a lidar com situações e a permanecer feliz ao longo dos anos:

1) Seja um observador desapegado

Isto significa manter uma visão ampla em relação ao que quer que aconteça. Todos os eventos fazem parte de uma peça incrivelmente maior, com cenas e cenários. Cada indivíduo tem um papel a desempenhar. Eu apenas tenho que me concentrar no meu papel e desempenhá-lo com a melhor das minhas habilidades. Todos estão sob a influência de suas próprias circunstâncias passadas e presentes. Na realidade, as pessoas apenas querem ser felizes e se possível evitar a tristeza. Elas querem entender as coisas e serem entendidas. Elas querem amar e ser amadas. É isso. Deixe que o show continue.

2) Felicidade consiste em doar

O fluxo da felicidade é um caminho de dentro para fora. Nesse sentido, eu não posso tomar felicidade dos outros ou das coisas. Eu só posso realmente dar. Felicidade é o tipo de coisa que aumenta realmente ao doar. Portanto, eu tenho que aprender a ativá-la e encontrar algo ou alguém para direcionar isso.

3) A outra metade de mim sou eu mesmo

A busca incessante por preenchimento através de objetos materiais e relacionamentos chega ao fim quando compreendemos que nós nunca nos encontraremos nas outras pessoas ou nas coisas físicas. Alguém mais, não importa quão grandioso(a) ele(a) seja, ou quão poético(a) seja, não pode mergulhar na minha alma e transformar meus sentimentos. As coisas e as pessoas podem me inspirar, mas, o quê e como eu me sinto depende de mim. É claro que a matéria satisfaz os sentidos físicos, mas não a alma. A própria busca por preenchimento começa com uma voz interna que clama para ser encontrada. A famosa outra metade da laranja sou eu!

4) Eu sou responsável

Eu sou responsável por meu estado espiritual e emocional. Há influências do presente e do passado, mas, eu não posso dizer, “eu sou assim por causa de alguém mais ou porque fui maltratado há 20 anos”. A vida é cheia de situações e testes, mas a menos que eu assuma a responsabilidade por meu estado mental e de espírito, eu sempre precisarei da misericórdia dos outros.

5) Estimulação dos sentidos não é felicidade

O mundo provê uma quantidade infindável de estímulos sensoriais, através de filmes, mp3s, vídeo games e atraentes divulgações. Eu não posso me lançar sem pensar, às coisas simples que me são oferecidas e ser impulsivo em um mundo que é a criação de alguém mais. Eu esqueço de ser o autor de mim mesmo. Não importa quão bela seja a cena, quão melodiosa seja a música ou quão saborosa seja a comida, meus órgãos sensoriais não são nem mais profundos do que eu e nem alimentam todos os meus desejos mais profundos, conectados a entender a vida e o meu verdadeiro papel nela.

6) Não crie e nem sustente expectativas irreais

Assim como eu tenho minhas limitações, todos os demais também têm. É irreal esperar que alguém seja constantemente amável, respeitoso e honesto comigo, quando eu sou, frequentemente, incapaz de fazer isso por mim mesmo. Eu não posso usar o respeito de alguém mais para compensar a minha própria falta de autorrespeito. Se eu sinto que alguém me traiu é porque eu traí a mim mesmo primeiro. É como apostar em um cavalo de corrida e meu cavalo não ganhou. Eu simplesmente rasgo o bilhete e sigo adiante.

7) A felicidade tem o mesmo tamanho que o meu potencial de bondade

Todos nós temos vocação para servir outros. Se eu puser o mundo de necessidades e de necessitados acima do meu próprio ego, poderei começar o trabalho de liberar o que é potencialmente bom em mim da prisão de minha ignorância. Ser verdadeiramente generoso e gracioso com os outros, não importa o quanto eles se comportem, é o início de ser capaz de ajudá-los. Ajudar os outros a serem mais felizes do que são capazes de ser é a maior caridade. Meu potencial para servir e minha possível felicidade têm o mesmo tamanho.

8) Aprender a estar no presente

A felicidade apenas pode ser experimentada no presente. Eu posso me lembrar de que eu era feliz ontem, mas, eu não posso experimentar essa felicidade agora. Se eu estou sempre olhando para trás, tentando extrair felicidade do passado ou procurando pela felicidade que eu posso ter essa noite, ou no fim de semana, ou quando eu estiver em férias, as oportunidades presentes passam. Se saio para caminhar, que eu possa apreciar o céu, as árvores e o dia. Se eu estou com outras pessoas, que eu possa apreciá-las como elas são. Que eu possa saborear a comida, apreciar a música, sentir a brisa, sem depender dessas coisas.  Eu então terei muitas razões para ser feliz nas coisas simples.

9) Meditar diariamente aumenta o meu estoque de entendimento e poder espiritual

Infelicidade é a falta de poder espiritual. Se eu gasto mais dinheiro do que ganho em um longo período de tempo eu vou à falência. Se eu gasto mais poder espiritual do que eu reponho diariamente, eu me torno espiritualmente falido. O truque, portanto, é acumular um estoque através da prática diária de meditação. Se eu posso meditar bem por 20 a 30 minutos como a primeira coisa que faço pela manhã, por 2 a 3 minutos de vez em quando durante o dia, e outros 20 a 30 minutos à noite, meu estoque de poder espiritual deverá ser suficiente para passar pela maioria das situações. Esse poder tende a se acumular conforme aprendo a pensar melhor. Quando os obstáculos maiores aparecem, deveria haver o suficiente para passar sobre eles também.

Veja o texto postado sobre meditação prática, neste mesmo blog (Pense menos, pense melhor – aprenda a meditar)

9 de dezembro de 2013

A poesia da transformação (1)



Andava só, ilhado pelos próprios pensamentos, as palhas dos problemas agarradas a mim.
As mãos fechadas, o destino maior impedido.
Atirei-me no fogo do amor e vi que somente as palhas são
consumidas.
A casca de máculas se derrete e revela o ser intocado.
Qual é o sacrifício, se apenas o inútil se queima?
E suas chamas iluminam o caminho reto da plenitude.
Que perdas há?
Se a minha fortuna se acende de vez
E sua luz desfaz o poder das antigas sombras endeusadas no altar de uma mente cega.
No espelho do saber, apenas a verdade se reflete dignamente

Apenas aquele que se livra da carga tem a leveza de se ver.

2 de dezembro de 2013

Pensar menos, pensar melhor (3) - Entender a essência das coisas


Houve uma fase da minha vida em que trabalhei como perfumista. Aprendi que, assim como as flores tem uma pequena porcentagem de essência, as situações da vida também tem uma pequena porcentagem de coisas importantes e uma grande quantidade de detalhes desnecessários.

Antigamente, no sul da França, onde a lavanda é cultivada, a população local montava uma unidade de destilação ao lado dos campos de flores, para fazer uma destilação simples ali mesmo. (Hoje em dia, o processo é bem mais mecanizado.) A proporção de essência na lavanda é ao redor de 0,05%, isso significa que, 5 quilos de óleo podem ser extraídos de cada tonelada de pétalas.

Qualquer pessoa que já viu uma tonelada de pétalas sabe que essa quantidade encheria um salão imenso. Naquela época, portanto, era um absurdo para eles carregarem essa quantidade de pétalas até a cidade para extrair o óleo, uma vez que é uma substância estável, que podia ser destilada no campo e refinada mais tarde. O bagaço só servia para fertilizar as plantações futuras. Do mesmo modo, ao invés de carregar os bagaços volumosos dos detalhes insignificantes das diversas situações que passo na vida, eu devia aprender a identificar e reter os 0,05% da essência significativa e ignorar o restante. É muito mais leve e mais fácil de usar!
Muitas vezes, o que é realmente importante escapa porque insisto em carregar na cabeça as trivialidades não importantes. Se apenas checar as últimas vezes em que fiquei aborrecido, verei que o agente provocador foi algum detalhe insignificante. A raiva sempre tende a exagerar.

Há três efeitos principais na pessoa que tem a cabeça cheia de bagaço:
§  Sobrecarga mental e intelectual;
§  Fragmentação pessoal;
§  Sensação interna de fraqueza e letargia.
Deveria entender profundamente esses três ladrões que roubam as minhas qualidades como ser humano.

Continuando com a analogia da perfumaria, há a situação do jasmim. O jasmim é muito delicado e seus ésteres são muito voláteis. A essência não pode ser destilada. As pétalas dos jasmins escolhidos minuciosamente são colocadas em solventes especiais que permitem que o chamado jasmim absoluto precipite. Os solventes, então, são evaporados. Um método mais caro, chamado enfleurage é muito utilizado na França. As pétalas são colocadas em um quadro untado com gordura para absorver o aroma. A gordura é processada para extrair o jasmim absoluto. Em ambos os casos, o preço, por quilo, do jasmim absoluto, dependendo da qualidade, pode ser mais de 5.000 dólares. O aroma característico do jasmim é devido ao éster chamado acetato de benzila Acetato, que compõe 65% do óleo. O Benzyl Acetato custa apenas 2-3 dólares o quilo. (Adivinhem o que os fabricantes usam em perfumes baratos e incensos!)

Do mesmo modo, muitas situações parecem verdadeiras, mas, de fato, não são. A essência pura foi substituída por algo falso. Por isso, nós realmente precisamos trabalhar o nosso poder de discernimento de modo que, depois que as situações vêm e vão, permaneço com o verdadeiro, e nem o bagaço, nem a falsidade pesem para baixo.

Referência: O livro, A Última Fronteira


27 de novembro de 2013

Pensar menos, pensar melhor (2) - Dormir melhor, cansar menos


Uma pesquisa realizada pelo respeitado instituto de pesquisa IBOPE, divulgada em novembro de 2013, revelou que 98% dos brasileiros se sentem um pouco ou muito cansados mental e fisicamente. Entrevistaram 1.499 homens e mulheres, de 18 a 65 anos, que vivem em cidades brasileiras. Para 70% dos entrevistados, o ritmo acelerado da vida cotidiana e o estresse são as principais razões para isso. Devo admitir que dá para observar este mesmo fenômeno em muitos outros países.
Há quase 40 anos atrás, aprendi algo que trouxe uma mudança fundamental na minha vida. Percebi que a qualidade do sono é muito mais importante do que a quantidade de horas dormidas. Treinei-me para dormir 5 ou 6 horas em vez de 8 e passei a me sentir melhor. Desde aquela época, ganhei mais de 3 anos que teria gasto dormindo. Tenho usado esse tempo extra para fazer muitas coisas construtivas como, por exemplo, escrever este blog! Entendi também, que a qualidade dos pensamentos era a principal fonte de cansaço, se pudesse pensar menos e melhor, eu realmente teria mais energia.
Por exemplo, posso trabalhar solidamente durante 12 horas com alegria, dando os retoques finais a um trabalho criativo e não me tornar tão desgastado como quando estou preocupado ou lamentando algo. Definitivamente, experimentei que, através da prática da meditação, posso diminuir e até eliminar os pensamentos inúteis que induzem a fadiga.
Como parte da minha própria disciplina pessoal, comecei a levantar-me muito cedo para meditar e tirar proveito do que é chamado ‘amrit vela’ – as “horas de néctar” na Índia. É das 4 às 6 horas da manhã. Existe o silêncio máximo nessa hora, na maioria dos lugares do mundo. Antes de envolver-me no mundo da ação, defino meu estado interior e afirmo meu valor intrínseco. A seguir há um exemplo da determinação que fixo para mim mesmo:
“Aconteça o que acontecer durante o miríade de eventos do dia, irei manter a minha serenidade. Ninguém e nada irá tirar aquilo que eu sou. Sou basicamente um ser de paz, de amor e de contentamento. As pessoas serão como elas são. Eu não posso mudá-las. As situações virão como vierem. Não  tentarei controlá-las. Ao invés disso, controlarei  meu estado interior e através disso, influenciá-las positivamente. Os obstáculos são oportunidades para aprender”.
Ao praticar isso conscientemente, descobri que poderia passar através das cenas e cenários, observando tudo que era para observar e participando quando tinha que participar. Podia separar o essencial do inútil, e, assim, reduzir a quantidade de pensamentos. Desta forma, aprendi a cansar menos. O negócio não é desenvolver métodos para o descanso. É aprender a não cansar tanto.
(O próximo post: Pensar menos, pensar melhor – Parte 2)

Referência: O livro, A Última Fronteira

12 de novembro de 2013

A Alma Quântica

Aqui o link para o curso que conduzi sobre este tema no Centro de Retiros da Brahma Kumaris em Serra Negra no fim de semana de 9 e 10 de novembro, 2013.
Em futuros blogs estarei explicando.

17 de outubro de 2013

Ninguém e nada tira meu valor verdadeiro



Ao longo dos anos, devo ter falado com centenas de pessoas que queriam alguma orientação para ajudar-lhes a enfrentar algum problema pessoal. De uma forma ou de outra, sempre acabávamos falando sobre autorrespeito. Especialmente nos casos em que a pessoa estava se sentindo desanimada ou incapaz diante de algum obstáculo, sempre parecia haver uma incapacidade de reconhecer e sustentar o sentimento de valor próprio.

Logo após o lançamento do livro "Valores Humanos no Trabalho", fui convidado a ministrar uma palestra sobre o assunto no Banco Central do Brasil. Como seria televisionada para as unidades em todo o país, fui lá um dia antes para me certificar de que estava tudo bem. Quando entrei no prédio em Brasília, alguns cartazes chamaram minha atenção. Eles tinham lançado uma campanha para que as pessoas tratassem as notas de dinheiro com maior cuidado. Eles me informaram que poderiam economizar até 15 milhões de dólares por ano, se as pessoas não maltrassem o dinheiro impresso. Isso me deu uma ideia sobre o que eu poderia fazer na palestra. Naquela noite, eu fiz uma fotocópia colorida de uma nota de 100 reais (cerca de 50 dólares na época).

No dia seguinte, após 20 minutos na palestra eu puxei a nota do bolso e disse que estava me sentindo generoso e que a daria para quem levantasse a mão primeiro. Cerca de oito pessoas ergueram as mãos. Com muita cerimônia, eu amassei a nota e perguntei-lhes se ainda queriam. Eles responderam que sim. Neste momento, uma das organizadoras me olhou de forma desvairada, como se dissesse: O que você está fazendo? E sobre a campanha? Indiquei a ela para não se preocupar.
Então, joguei a nota amassada no chão e pisei nela. Perguntei se eles ainda receberiam a nota de R$100 e disseram que sim. Finalmente eu a peguei e a rasguei ao meio. No silêncio atônito, ofereci os dois pedaços ao primeiro que levantou a mão. Como era um funcionário do banco, ele brincou: ‘Acho que daria para trocá-la no Banco Central’. Havia um espanto (e alívio) ainda maior, quando anunciei que era uma nota falsa. (Com uma olhada acalmei a organizadora ansiosa). Expliquei que eu jamais faria isso com uma nota de verdade. Eu fiz para mostrar a fundação da autoestima e portanto, de um comportamento baseado em valores. De certa forma, eu sou como uma nota de dinheiro de verdade. Não importa o que o mundo faça comigo. Ele pode me amassar. Ele pode me pisotear. Ele pode até mesmo me rasgar ao meio. Mesmo assim, meu valor intrínseco não muda.

O autorrespeito é, sobretudo, conhecer e agarrar-me ao meu próprio valor. Há aspectos de minha consciência fundamental que não mudam com as circunstâncias. É como um DNA espiritual. Mesmo que eu flutue de acordo com as cenas mutantes ao meu redor, certas qualidades profundas como amor, paz, felicidade e verdade são meu lastro interno. Elas são parte de mim. Ninguém e nada pode levá-las embora. Eu as perco, basicamente, porque me esqueço de quem realmente sou. Quando isso acontece, eu também me esqueço do que é verdadeiramente meu.