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13 de abril de 2015

As pequenas verdades relativas e a grande absoluta


DEVIDA A INÚMEROS PEDIDOS RESOLVI REATIVAR ESTE BLOG DEPOIS DE ALGUM TEMPO

Vivemos em um mundo que tem tantas opiniões quanto existem pessoas. No Brasil, diz-se que há 200 milhões de treinadores da seleção nacional de futebol. É toda a população! Corajoso é o treinador oficial que se atreva a perder um jogo importante. Na posição de buscador favorito do mundo de informação, através do Google dá para descobrir tudo a favor e contra todo o resto. Café, grãos de soja, leite, trigo - o que você quiser - é bom ou ruim para o seu sistema nervoso, coração, fígado, cérebro e etc. Depende da fonte ou do interessado que pagou a pesquisa. As doenças são inventadas para vender drogas e as drogas são inventadas para promover ou resolver doenças. Faça sua escolha.
Em um retiro recente sobre música e espiritualidade, pedimos aos participantes ouvirem cinco peças de música e verificarem suas reações emocionais - samba brasileiro, heavy metal, clássico, música gospel e o hino nacional. Mais uma vez, houve uma diversidade de opiniões - alguns estavam em acordo, outros em desacordo frontal. O ex-rebelde da geração X que associou sua busca de liberdade nos anos 80 com os acordes estridentes de heavy metal não podia se ver olho no olho com o fã do Adagio em G Menor de Albinoni. O fervor de orgulho estimulado pelo hino nacional em alguns se contrapôs à indignação de outros pelo estado atual do país.
Apesar da pluralidade quase total de pontos de vista no mundo, há uma implicação subjacente de que existem verdades universais. Estas tornam-se a base das nossas leis. Por exemplo, assassinar outros, roubar e estuprar – tudo isso é condenado em quase todas as sociedades. Percebe-se que a conduta moralmente responsável é melhor do que o caos generalizado.
Ao mesmo tempo, muitos olham esperançosamente para a ciência como a melhor fonte de verdades absolutas. Paradoxalmente, a própria ciência nega isso, enquanto se concentra em aperfeiçoar ainda mais ou alterar as suas teorias (e, assim, invalidar 'verdades' anteriores). Basta comparar o que eram as verdades ‘absolutas’ 200 anos atrás com o que se acredita hoje. Duzentos anos a partir de agora, provavelmente iremos rir bastante dos paradigmas científicos de hoje.
Em um nível mais mundano, se um cão é visto vindo e indo da casa de alguém, os vizinhos dizem com absoluta convicção de que o cão vive lá. No entanto, se o proprietário diz que ele é o melhor cão do mundo, só é verdade para ele. Mesmo que apenas 2% da população mundial tenha olhos verdes, isso não significa que aquela é a melhor cor para os olhos. Toda cor é boa. Cada opinião tem algum mérito, pelo menos para a pessoa que a sustenta.
O problema é quando as opiniões são agrupadas em ‘ismos’ (religiões e partidos políticas), e então, elas naturalmente entram em conflito com outras versões da mesma coisa. Isso acontece especialmente com a política ou a religião, quando esquecemos de que, não importa a tonalidade, os ismos são apenas diferentes tipos de equipes jogando esportes com bola. Todos os ismos têm o objetivo de mover a bola de sua crença de um lado do campo ou quadra para o outro. Sempre há metas relacionadas com onde e como colocar a bola, a fim de vencer as equipes adversárias. Cada esporte que usa bola tem as suas regras. No basquete, não se pode tocar a bola com os pés. No futebol, não se pode tocar a bola com as mãos. Se, num jogo de handebol, você derruba alguém ao estilo de rugby, certamente recebe um cartão vermelho. No entanto, você não pode dizer que um esporte é melhor do que o outro. Cada um deles é bom em seu próprio estilo. Apenas desfrutamos da diversidade.
Há uma canção popular brasileira de Gilberto Gil - "Se eu quiser falar com Deus". E se Deus quisesse falar conosco? Ele ou Ela (quem sabe?), provavelmente nos diria algo muito diferente de qualquer coisa que já imaginamos. Isso seria a verdadeira medida absoluta das coisas. Seria como receber uma régua com a qual medir todas as nossas diferentes crenças e comportamentos.
Por exemplo, se Ele dissesse que somos todos pequenos pontos de energia consciente animando nossos corpos, que não teriam vida de outra forma. Que viemos de uma dimensão de luz além do universo físico, tomamos corpos e que, após um vasto processo cíclico, temos de voltar para essa dimensão. Que Ele permanece sempre ali naquele lar de luz e silêncio, justamente onde tentamos visitar sutilmente nas nossas orações e meditações. Que surpresa seria se dissesse que Ele não é onipresente neste mundo físico e que Ele só sabe o que precisa saber. Ele não guarda um livro de todos os nossos pecados, nem Ele se senta no céu vendo o que fazemos ou não fazemos. Ele não envia raios de luz para nos explodir onde estamos, quando não estão nos comportando bem. Ele não tem nenhuma religião favorita, porque todas as almas são Seus filhos.
Em outras palavras, Ele/Ela provavelmente refutaria os mais sagrados dos conceitos criados pelo homem. Há tantas coisas que foram ditas a respeito de Deus por todos os lados. O que Deus, por Sua vez, quer dizer sobre nós e as nossas pequenas verdades relativas? A triste notícia é que não sabemos que não sabemos a medida que cambaleamos para frente. A melhor notícia é que temos uma chance de sermos honestos e aceitar a diversidade maravilhosa em que vivemos.

27 de agosto de 2014

Ir além dos conflitos



Palestra que eu dei no dia 26-08-14 na Universidade do Meio-ambiente e Cultua da Paz, UMAPAZ, São Paulo
Slides PDF
Gravação da palestra

6 de janeiro de 2014

Meditar reduz o estresse e afasta doenças; veja mitos e verdades


Entrevista que fiz para o portal UOL no Brasil:


Meditar reduz o estresse e afasta doenças; veja mitos e verdades (09/12/13)


Meditar está deixando de ser uma prática restrita à turma "zen" para se tornar uma opção para quem quer viver mais e melhor. Até executivos têm buscado a prática para ganhar produtividade. Há alguns anos, o National Institutes of Health (NIH), agência dos Estados Unidos responsável por pesquisas médicas, reconheceu formalmente a meditação como terapêutica que pode ser associada à medicina convencional. Aqui, o Ministério da Saúde foi pelo mesmo caminho e passou a incentivar postos de saúde e hospitais públicos a oferecer a técnica em todo o país. Uma das maiores vantagens da atividade é promover o relaxamento físico, mental, emocional e metabólico. Durante a sessão, o organismo consome 17% menos oxigênio, o ritmo cardíaco diminui e as ondas cerebrais alcançam uma frequência lenta e benéfica. Isso significa que o organismo entra em um estado de repouso, baixando a ansiedade e favorecendo o sistema nervoso.
Mais meditação, menos consultas
O cardiologista americano Herbert Benson, pesquisador e fundador-presidente do Instituto Mente/Corpo da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard (EUA), afirma que 60% das consultas médicas poderiam ser evitadas se as pessoas apenas usassem a mente para combater as tensões causadoras de complicações físicas. “Relaxando a cabeça e trabalhando melhor a oxigenação do cérebro, tudo melhora”, afirma Ken O’Donnel, australiano radicado no Brasil, diretor para a América do Sul da Brahma Kumaris (organização não-governamental com sede na Índia) e escritor de 15 livros. A meditação também promove paz interior e abre os canais para que o indivíduo encontre o que há de mais profundo nele próprio, levando ao autoconhecimento. No livro "Transformando a Mente", o líder espiritual Dalai Lama explica que a prática nos permite ter algum controle sobre pensamentos e emoções. Em vez de ficar correndo atrás disso ou daquilo sem concentrar a atenção, alcançamos a capacidade de voltar a mente para um objeto determinado e focamos nele, de acordo com nossa vontade.
Várias correntes
Basicamente, conta O'Donnel, há três correntes de meditação: a primeira, como a zen, busca esvaziar a cabeça usando exercícios de respiração e outras técnicas para reduzir a atividade mental a zero; a segunda, que inclui a transcendental, ocupa a mente com sons repetidos, imagens ou visualizações; o último grupo, que abarca a "raja" ioga, treina o cérebro para funcionar de maneira mais ordenada e positiva. "De maneira geral, as três linhas englobam todas as formas que hoje estão aí. A mente é como um campo de futebol: as duas primeiras reduzem ao máximo a atividade neste campo, desestimulando pensamentos, sentimentos, sensações e lembranças; a terceira não objetiva esvaziar ou substituir, mas tornar a compreensão parte do funcionamento normal do cérebro". Antes de optar por esta ou aquela corrente, é importante saber o que se busca e, claro, dedicar-se à prática de maneira regular. Isso significa pelo menos duas sessões diárias, de 15 a 20 minutos. Vale lembrar que a transcedental não tem cunho religioso ou espiritual. Basta se sentar (e não precisa ser nem em posição de lótus) e meditar.  Nas diferentes academias de meditação e ioga, você vai encontrar alguns tipos com nomes como Dinâmica, Kundalini, Mandala, Vipassana - vale experimentar para ver qual tem mais a ver com você. 
Mente clara, menos estresse
“A meditação tem como objetivo o estado de união com algo maior”, acredita Paulo Sérgio Oliveirah, pós-graduado em Psicologia Transpessoal, consultor e psicoterapeuta, professor de "hatha", "raja" ioga e iogaterapia. Para Ken O’Donnel, aprendemos a pensar menos e melhor com a prática. “A mente aberta passa a ter intuições com mais frequência. O poder de concentração e de compreensão igualmente aumentam, e a vida flui naturalmente. Na hora das decisões importantes, há clareza sobre o que fazer. Os relacionamentos são beneficiados; não se despeja muita expectativa e cobrança sobre o outro. A despreocupação – não o descuido – cresce junto com a autoconfiança. Tudo isso traz bem-estar e qualidade de vida.” O'Donnel diz que são quatro os níveis de estresse: no primeiro, há uma ansiedade leve, e muitos o consideram algo saudável, pois torna a pessoa motivada (para, por exemplo, correr atrás de uma promoção no trabalho); no segundo, o nervosismo é contínuo e há queixas de sobrecarga e angústia frequentes; no terceiro, o estresse crônico traz resultados negativos e explícitos, como irritabilidade e manifestações somáticas (dor de cabeça relacionada à tensão); já no quarto nível, o indivíduo se sente exausto o tempo todo, tanto física como emocionalmente, e perdendo o sentido de autorrealização e ganhando sintomas graves que requerem ajuda médica. “A meditação ameniza o estresse em todos os patamares por dois motivos: cria mais resistência e resiliência, especialmente em situações adversas e diante de pessoas com personalidades difíceis; e auxilia na compreensão do que está acontecendo à volta, reduzindo o peso das situações”, analiza O’Donnell.

31 de dezembro de 2013

Há coisas mais importantes na vida que reuniões..



Definições não bastam 

Havia mais ou menos uma hora que a reunião não saía do ponto sobre qual dos componentes oferecia menos resistência elétrica. As profundas olheiras refletiam as longas horas que eles estavam debruçados sobre o enigma da supercondutividade, ao qual já dedicavam vários meses de experimentação e discussão.
O líder do grupo, um renomado cientista por seus impecáveis métodos investigativos dos segredos da físico-química sugeriu:
— Estou certo de que, se conseguíssemos aumentar a quantidade de bismuto no composto de óxido, chegaríamos mais perto dos resultados desejados. Pensem no que o sonho da resistência zero nos traria — chips ultra-rápidos, eletromagnetos superbaratos e tantas outras coisas.
Sua mente vagava pelas fantásticas possibilidades quando um colega interrompeu-o.         
— Pessoalmente, estou mais inclinado pelo estrôncio. Seja como for, até onde chegamos até agora?
O professor, arrancado de seus devaneios, sorriu.
— Alcançamos 23 graus de congelamento absoluto e...
De repente, a sala de reuniões do laboratório abriu-se e um assistente, trazendo um telefone sem fio, declarou:
— Professor, telefone para o senhor.
O homem não conseguiu disfarçar a sua irritação.
— Eu disse que não queria ser perturbado!
— É urgente, senhor. É sua esposa.
Ele pegou o telefone com má vontade.
— Quantas vezes já lhe disse que não me telefonasse aqui? O que foi desta vez?
— Aconteceu uma coisa terrível — a mulher soluçava do outro lado. — Nosso filhinho foi atropelado por um carro na frente de casa. Eu o deitei aqui e chamei a ambulância, mas não consigo sentir seu pulso.
— Ok. Fique calma. Logo estarei aí.
O telefone escorregou de sua mão quando ele voltou-se para os colegas. Aquele com quem estava falando, perguntou:
— O que houve? Parece que o senhor viu um fantasma. Professor? Professor?
O homem segurou-se no tampo da mesa e saiu cambaleando da sala sem sequer recolher seus papéis...

Explicação

            Se a busca das leis físicas leva ao profundo entendimento e à utilização da matéria e da energia, nossa vida e nossas esperanças mais profundas caminham num ritmo diferente. De tempos em tempos somos sacudidos por fatos que desafiam a nossa capacidade intelectual. Quando acontece um imprevisto, precisamos de  algo mais que meras definições. Precisamos do poder interior.

            A meditação nos ajuda a manter o equilíbrio diante do inesperado. Num dado momento, podemos estar plenamente lúcidos e eficientes quanto às nossas capacidades profissionais e, no momento seguinte, calmos e preparados para lidar com as dificuldades pessoais que porventura vierem a surgir. Existe um poder de concentração superior que controla a tendência à especulação inútil e a paciência de esperar pelos fatos.

Do livro: Reflexões para uma vida plena, Ken O'Donnell, Editora Integrare

26 de dezembro de 2013

Os segredos de manter-se feliz, não importa o que acontece




Pense na última vez em que você ficou chateado por causa de algo trivial. Quando, por exemplo, você se trancou fora da sua casa e, em vão, golpeou a porta. Ou quando foi anunciado que seu voo atrasou três horas devido a uma falha mecânica e você perdeu o seu compromisso. Ou quando você mudou para uma fila menor no supermercado e a pessoa  à sua frente, já no caixa, decidiu pagar todas as contas, de gás, luz e água… Ou quando o trânsito estava ruim e por isso você decidiu pegar o  seu atalho mais curto favorito e pegou um engarrafamento pior do que o  anterior. Nossas vidas estão cheias de tais eventos imprevisíveis que vêm como desafios ao senso de bem estar. Sacrificamos a nossa felicidade a essas situações, por nada. O único retorno por ficar chateado é uma dor de cabeça. Se isso se torna crônico, possivelmente seremos candidatos a ter uma vida mais curta.

Certa vez, eu estava de carro em Buenos Aires com um amigo. Quando o semáforo ficou verde, o carro estagnou. De repente, ouvi um taxista, que passou voando à minha direita, gritando a palavra 'mongólico' para mim. Ele, na realidade gastou sua fúria à toa pois, como eu ainda estava aprendendo espanhol, não entendi a expressão. Meu amigo me disse que a pessoa havia acabado de me chamar de imbecil. Mais tarde, eu fiz um cálculo rápido: se eu ganhasse cinco segundos a cada semáforo, no fim do dia, eu teria 10 minutos de tempo extra. Em minha mente eu criei uma caricatura de uma pessoa no semáforo cheia de raiva gritando 'mongólico' para todos os que se atrevessem a impedir o seu avanço. Dirigindo e arrancando nos semáforos seis dias por semana, durante 30 anos, chegaria a aproximadamente 2 meses de tempo extra! Mas, o quão mais curta seria a vida dele ao viver em tal estado permanente de ansiedade?

Recentemente, eu perguntei ao público de uma palestra, em Orlando, nos Estados Unidos, se a vida deles era confortável. Na autoestrada de Tampa, eu vi um enorme reboque levando um carro e um carro de golfe – combinação perfeita para um amante do conforto itinerante. A maioria então disse sim. Com isso, perguntei se eles ficam felizes, não importa o que aconteça. Eles disseram que poderiam permanecer mais ou menos felizes até que um próximo teste viesse, como aqueles que citei acima: uma chave perdida, um voo atrasado, uma fila pequena ou um atalho congestionado. Estes são apenas testes triviais. Imagine o quanto nós perderíamos se os testes fossem realmente importantes, como ter a nossa casa incendiada ou uma pessoa querida diagnosticada com câncer maligno. O fato é que precisamos de um grande estoque de entendimento e poder espiritual para passar pelo caos de cada dia.

Os segredos que aprendi

principalmente através de minha conexão com os ensinamentos da Brahma Kumaris, que me ajudaram a lidar com situações e a permanecer feliz ao longo dos anos:

1) Seja um observador desapegado

Isto significa manter uma visão ampla em relação ao que quer que aconteça. Todos os eventos fazem parte de uma peça incrivelmente maior, com cenas e cenários. Cada indivíduo tem um papel a desempenhar. Eu apenas tenho que me concentrar no meu papel e desempenhá-lo com a melhor das minhas habilidades. Todos estão sob a influência de suas próprias circunstâncias passadas e presentes. Na realidade, as pessoas apenas querem ser felizes e se possível evitar a tristeza. Elas querem entender as coisas e serem entendidas. Elas querem amar e ser amadas. É isso. Deixe que o show continue.

2) Felicidade consiste em doar

O fluxo da felicidade é um caminho de dentro para fora. Nesse sentido, eu não posso tomar felicidade dos outros ou das coisas. Eu só posso realmente dar. Felicidade é o tipo de coisa que aumenta realmente ao doar. Portanto, eu tenho que aprender a ativá-la e encontrar algo ou alguém para direcionar isso.

3) A outra metade de mim sou eu mesmo

A busca incessante por preenchimento através de objetos materiais e relacionamentos chega ao fim quando compreendemos que nós nunca nos encontraremos nas outras pessoas ou nas coisas físicas. Alguém mais, não importa quão grandioso(a) ele(a) seja, ou quão poético(a) seja, não pode mergulhar na minha alma e transformar meus sentimentos. As coisas e as pessoas podem me inspirar, mas, o quê e como eu me sinto depende de mim. É claro que a matéria satisfaz os sentidos físicos, mas não a alma. A própria busca por preenchimento começa com uma voz interna que clama para ser encontrada. A famosa outra metade da laranja sou eu!

4) Eu sou responsável

Eu sou responsável por meu estado espiritual e emocional. Há influências do presente e do passado, mas, eu não posso dizer, “eu sou assim por causa de alguém mais ou porque fui maltratado há 20 anos”. A vida é cheia de situações e testes, mas a menos que eu assuma a responsabilidade por meu estado mental e de espírito, eu sempre precisarei da misericórdia dos outros.

5) Estimulação dos sentidos não é felicidade

O mundo provê uma quantidade infindável de estímulos sensoriais, através de filmes, mp3s, vídeo games e atraentes divulgações. Eu não posso me lançar sem pensar, às coisas simples que me são oferecidas e ser impulsivo em um mundo que é a criação de alguém mais. Eu esqueço de ser o autor de mim mesmo. Não importa quão bela seja a cena, quão melodiosa seja a música ou quão saborosa seja a comida, meus órgãos sensoriais não são nem mais profundos do que eu e nem alimentam todos os meus desejos mais profundos, conectados a entender a vida e o meu verdadeiro papel nela.

6) Não crie e nem sustente expectativas irreais

Assim como eu tenho minhas limitações, todos os demais também têm. É irreal esperar que alguém seja constantemente amável, respeitoso e honesto comigo, quando eu sou, frequentemente, incapaz de fazer isso por mim mesmo. Eu não posso usar o respeito de alguém mais para compensar a minha própria falta de autorrespeito. Se eu sinto que alguém me traiu é porque eu traí a mim mesmo primeiro. É como apostar em um cavalo de corrida e meu cavalo não ganhou. Eu simplesmente rasgo o bilhete e sigo adiante.

7) A felicidade tem o mesmo tamanho que o meu potencial de bondade

Todos nós temos vocação para servir outros. Se eu puser o mundo de necessidades e de necessitados acima do meu próprio ego, poderei começar o trabalho de liberar o que é potencialmente bom em mim da prisão de minha ignorância. Ser verdadeiramente generoso e gracioso com os outros, não importa o quanto eles se comportem, é o início de ser capaz de ajudá-los. Ajudar os outros a serem mais felizes do que são capazes de ser é a maior caridade. Meu potencial para servir e minha possível felicidade têm o mesmo tamanho.

8) Aprender a estar no presente

A felicidade apenas pode ser experimentada no presente. Eu posso me lembrar de que eu era feliz ontem, mas, eu não posso experimentar essa felicidade agora. Se eu estou sempre olhando para trás, tentando extrair felicidade do passado ou procurando pela felicidade que eu posso ter essa noite, ou no fim de semana, ou quando eu estiver em férias, as oportunidades presentes passam. Se saio para caminhar, que eu possa apreciar o céu, as árvores e o dia. Se eu estou com outras pessoas, que eu possa apreciá-las como elas são. Que eu possa saborear a comida, apreciar a música, sentir a brisa, sem depender dessas coisas.  Eu então terei muitas razões para ser feliz nas coisas simples.

9) Meditar diariamente aumenta o meu estoque de entendimento e poder espiritual

Infelicidade é a falta de poder espiritual. Se eu gasto mais dinheiro do que ganho em um longo período de tempo eu vou à falência. Se eu gasto mais poder espiritual do que eu reponho diariamente, eu me torno espiritualmente falido. O truque, portanto, é acumular um estoque através da prática diária de meditação. Se eu posso meditar bem por 20 a 30 minutos como a primeira coisa que faço pela manhã, por 2 a 3 minutos de vez em quando durante o dia, e outros 20 a 30 minutos à noite, meu estoque de poder espiritual deverá ser suficiente para passar pela maioria das situações. Esse poder tende a se acumular conforme aprendo a pensar melhor. Quando os obstáculos maiores aparecem, deveria haver o suficiente para passar sobre eles também.

Veja o texto postado sobre meditação prática, neste mesmo blog (Pense menos, pense melhor – aprenda a meditar)

9 de dezembro de 2013

A poesia da transformação (1)



Andava só, ilhado pelos próprios pensamentos, as palhas dos problemas agarradas a mim.
As mãos fechadas, o destino maior impedido.
Atirei-me no fogo do amor e vi que somente as palhas são
consumidas.
A casca de máculas se derrete e revela o ser intocado.
Qual é o sacrifício, se apenas o inútil se queima?
E suas chamas iluminam o caminho reto da plenitude.
Que perdas há?
Se a minha fortuna se acende de vez
E sua luz desfaz o poder das antigas sombras endeusadas no altar de uma mente cega.
No espelho do saber, apenas a verdade se reflete dignamente

Apenas aquele que se livra da carga tem a leveza de se ver.

2 de dezembro de 2013

Pensar menos, pensar melhor (3) - Entender a essência das coisas


Houve uma fase da minha vida em que trabalhei como perfumista. Aprendi que, assim como as flores tem uma pequena porcentagem de essência, as situações da vida também tem uma pequena porcentagem de coisas importantes e uma grande quantidade de detalhes desnecessários.

Antigamente, no sul da França, onde a lavanda é cultivada, a população local montava uma unidade de destilação ao lado dos campos de flores, para fazer uma destilação simples ali mesmo. (Hoje em dia, o processo é bem mais mecanizado.) A proporção de essência na lavanda é ao redor de 0,05%, isso significa que, 5 quilos de óleo podem ser extraídos de cada tonelada de pétalas.

Qualquer pessoa que já viu uma tonelada de pétalas sabe que essa quantidade encheria um salão imenso. Naquela época, portanto, era um absurdo para eles carregarem essa quantidade de pétalas até a cidade para extrair o óleo, uma vez que é uma substância estável, que podia ser destilada no campo e refinada mais tarde. O bagaço só servia para fertilizar as plantações futuras. Do mesmo modo, ao invés de carregar os bagaços volumosos dos detalhes insignificantes das diversas situações que passo na vida, eu devia aprender a identificar e reter os 0,05% da essência significativa e ignorar o restante. É muito mais leve e mais fácil de usar!
Muitas vezes, o que é realmente importante escapa porque insisto em carregar na cabeça as trivialidades não importantes. Se apenas checar as últimas vezes em que fiquei aborrecido, verei que o agente provocador foi algum detalhe insignificante. A raiva sempre tende a exagerar.

Há três efeitos principais na pessoa que tem a cabeça cheia de bagaço:
§  Sobrecarga mental e intelectual;
§  Fragmentação pessoal;
§  Sensação interna de fraqueza e letargia.
Deveria entender profundamente esses três ladrões que roubam as minhas qualidades como ser humano.

Continuando com a analogia da perfumaria, há a situação do jasmim. O jasmim é muito delicado e seus ésteres são muito voláteis. A essência não pode ser destilada. As pétalas dos jasmins escolhidos minuciosamente são colocadas em solventes especiais que permitem que o chamado jasmim absoluto precipite. Os solventes, então, são evaporados. Um método mais caro, chamado enfleurage é muito utilizado na França. As pétalas são colocadas em um quadro untado com gordura para absorver o aroma. A gordura é processada para extrair o jasmim absoluto. Em ambos os casos, o preço, por quilo, do jasmim absoluto, dependendo da qualidade, pode ser mais de 5.000 dólares. O aroma característico do jasmim é devido ao éster chamado acetato de benzila Acetato, que compõe 65% do óleo. O Benzyl Acetato custa apenas 2-3 dólares o quilo. (Adivinhem o que os fabricantes usam em perfumes baratos e incensos!)

Do mesmo modo, muitas situações parecem verdadeiras, mas, de fato, não são. A essência pura foi substituída por algo falso. Por isso, nós realmente precisamos trabalhar o nosso poder de discernimento de modo que, depois que as situações vêm e vão, permaneço com o verdadeiro, e nem o bagaço, nem a falsidade pesem para baixo.

Referência: O livro, A Última Fronteira