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12 de março de 2016

Contemplação - exercícios em silêncio


Estes são alguns exercícios que propus para os participantes de um retiro de silêncio no Centro de Retiros Om Shanti perto de Delhi. Eles são baseados na prática de Raja Yoga e abrangem os aspectos mais básicos. Você vai observar que o primeiro passo é muito semelhante ao que as pessoas chamam de mindfulness.

Praticar os exercícios a seguir de novo e de novo, de modo que, gradualmente, você não precisa ler o texto, mas que eles se tornem registrados em você.

1. Centrar-se no presente

Sente-se com seus olhos ligeiramente abertos. Torne-se consciente do mundo ao seu redor. Ouça os sons que te rodeiam. Perceba as cores e formas. Sinta o ar que  inspira e expira. Sinta que você está no centro de 360​​°de atividades em torno de você mesmo. O passado terminou e o futuro ainda não começou. Você está literalmente no momento presente. É o único tempo real que você tem. Aprecie-o por cinco minutos sem pensar muito. Basta ter atenção plena no que está acontecendo ao seu redor.

2. Centrar-se na consciência da alma

Assim como você está sentado em seu assento fisicamente, imagine um lugar sutil alguns centímetros atrás do ponto entre as sobrancelhas. É a sede onde a energia consciente ou a alma se senta. Todos os pensamentos, sentimentos, desejos e ideias, bem como as sensações do corpo chegam a este ponto para ser processados. Sentado neste assento sutil, você aprecia as informações que chegam e decide sobre a direção que você quer tomar. Passe alguns minutos nessa consciência de ser a alma trabalhando através do corpo físico. Disfrute a sensação de comando que isso lhe dá.

3. No centro da sua vida

Como um ser espiritual, você não está apenas no centro de tudo o que está acontecendo ao seu redor, mas você está no centro de sua vida. Há uma rede de papéis, relações e responsabilidades que se espalha a partir de você. Você está conectado através deles com pessoas, objetos e situações. Assim como o centro de um círculo não se move, você está quieto e calmo no centro de sua vida e atividades. Conforme você se torna mais tranquilo, isso tem um efeito imediato sobre tudo o que está ligado a você. Sem mover internamente, aproveite para servir toda a sua rede com vibrações pacíficas. Esteja ciente de que você é o criador da realidade de sua vida.

4. Experimentando sua eternidade

Torne-se centrado na consciência de ser a alma no corpo. Observe o mundo físico ao seu redor, sem pensar muito. Observe as situações atuais em que você se encontra, como se você estivesse assistindo as cenas de um filme. Como um ser espiritual passando por esta experiência humana, esteja ciente de que em algum momento no passado, você entrou neste corpo físico, quando ele ainda estava no ventre de sua mãe. Você nasceu, cresceu, passou por muitas experiências e agora você está meditando sobre a sua verdadeira natureza. Em algum momento futuro, você, a alma, deixará seu corpo e continuará a sua jornada. Esta vida então se torna um capítulo de um livro. Você é a energia que dá vida a todo o livro e não apenas a este capítulo. Você é a energia consciente que continua. Você veio de sempre. Você continuará para sempre. Porque você não tem qualquer tamanho ou dimensão física, nada pode destruí-lo. Você é eterno. Fique nessa consciência por alguns minutos.

5. O estado interior de paz, amor e felicidade

Quando você está em um estado de descanso, como descrito acima, tem a oportunidade de experimentar as qualidades mais profundas que são inatas à alma. Torne-se o observador e experimente que, quando você está quieto, há paz, amor e felicidade naturais. Estas são qualidades que sempre estiveram na alma. À medida que avançamos de uma vida para outra (ou de um capítulo para o outro), muitas coisas são gravadas em cima dessas qualidades originais. Com o tempo, você acaba esquecendo-as. Elas ficam enterradas pelos desejos e considerações momentâneos. Desde que você tenha voltado para o seu centro interior, agora pode apreciar a diferença entre o que você realmente é profundamente e o que você se tornou, neste momento em sua vida. Permaneça alguns minutos neste estado profundo de prazer espiritual.

6. Ligação com Deus, fonte de poder espiritual

Como uma alma, você não é feito de energia material. Sua existência está em outra dimensão também. Há uma dimensão de luz sutil para além deste universo físico, que as diferentes tradições religiosas chamamos de céu, nirvana ou simplesmente, o lar das almas. Aquele que nós chamamos de Deus, Alá, Javé ou Shiva também reside lá. Temos tentado fazer a religação com Ele na oração muitas vezes.
Ao ficar centrado na consciência da alma e nas suas qualidades inatas de paz, amor e felicidade, você gradualmente se afasta da dimensão física e se torna um observador silencioso. Internamente, você fica consciente dessa dimensão de luz e se aproxima Daquele que é como um sol sutil, irradiando poder espiritual. Mentalmente, visualize o encontro entre a alma e Deus. Abra-se para receber os raios deste poder espiritual. Você vai se sentir como se sua bateria estivesse sendo recarregada, que o seu amor, paz e felicidade estão realmente sendo ativadas. Permaneça nesse estado de profunda apreciação de sua conexão com a Fonte, por mais alguns minutos.

7. Relacionamento com Deus

Deus não é apenas a fonte de poder espiritual, mas também é a essência de todos os relacionamentos. Concentre-se na consciência da alma e fique mentalmente conectado com Deus, como no exercício anterior. Inicie uma conversa com Ele em qualquer um dos relacionamentos que você considera importante. Ele é a Mãe, Pai, Professor, Guia, Amigo, Amado e assim por diante. Imagine que a conexão entre você e Deus gira em torno dessa relação. Inicie e continue uma conversa durante o tempo que você quiser do seu lado da relação - como filho, estudante, seguidor, amigo, amante e assim por diante. Deixe-se aberto para as respostas que vierem para você na conversa. Permaneça nesta intercâmbio amoroso por alguns minutos e retorne recarregado e pronto para enfrentar as situações de sua vida.

12 de janeiro de 2016

Para os participantes do retiro "A Última Fronteira"

Link para o vídeo "Deep Meditation Experience" (Alta resolução)
Link para a apresentação em Powerpoint que contém as perguntas sobe o ego limitado.
Aproveitem!

18 de dezembro de 2015

Download da palestra sobre auto-estima de Ken, 17-12-15


No dia 17 de dezembro eu dei esta palestra pela Web - "Dê uma guinada no seus autoestima para 2016" .

Aqui o link para audio, video e Powerpoint,

16 de novembro de 2015

Como o tempo passa!




A visão típica do tempo é mais ou menos assim. 

Alguns de nós que temos idade suficiente, ficamos um pouco assustados quando vemos nossa fotografia de 20 anos atrás. Envelhecemos. Temos menos cabelo, talvez menos dentes e, certamente, mais rugas. Talvez não tenhamos feito todas as coisas que tínhamos planejado. O tempo passou e cobrou seu preço de nós. Então, o que é essa coisa misteriosa que costura dias, meses e anos de forma tão inexorável? Não podemos vê-lo, ouvi-lo, sentí-lo, saboreá-lo ou tocá-lo. O tempo nos muda - nossa aparência física e experiência interior – mas não conseguimos mudá-lo.

Dizemos que ele voa ou se arrasta, mas na verdade ele só rola para frente com a mesma constância de sempre. Não queremos desperdiçá-lo. Estamos sempre inventando novas tecnologias que supostamente nos ajudarão a "salvá-lo". Criamos todo tipo de novo veículo terrestre, aéreo ou marítimo para que possamos ir de um lugar para outro em menos tempo. Mas, muitas vezes esquecemos que o tempo também é a vida.

Vemos ciclos de tempo. A Terra gira sobre seu eixo e nós o chamamos de um dia. Ela faz uma volta completa em torno do Sol e chamamos isso de um ano. Podemos medir o tempo, mas seus segredos mais profundos nos escapam.

Há uma história sobre um turista rico que visitava uma aldeia de pescadores na Amazônia. Ele tentou convencer um pescador de contratar mais pessoas para ajudá-lo.

A conversa foi assim:

Pescador(P) - Por que eu iria fazer isso?
Turista(T) - De modo que você pode pegar mais peixe.
P - Por que eu iria fazer isso?
T - Então, você poderia ganhar mais dinheiro para investir em sua atividade, talvez comprar mais alguns barcos.
P - Por que eu iria fazer isso?
T - Com mais dinheiro você poderia ter algum tempo para relaxar.
- Mas eu já estou relaxado. Por que eu iria querer mais algum tempo?
- Então você poderia fazer o que faço. Durante um mês a cada ano eu me dedico à pesca e deixo todos os meus problemas para trás.
P - Mas eu já estou pescando ...

Você pode ver para onde a história está indo.

O mistério do tempo tem nos assombrado ao longo da história, ao ponto de termos uma relação ambígua com ele. Queremos salvar o tempo, tanto quanto pudermos, mas quando o temos disponível, será que sabemos realmente como fazer o melhor uso dele? Trabalhamos como loucos durante o dia pensando sobre o tempo que teremos para relaxar à noite. Lutamos durante a semana para desfrutar do nosso fim de semana. Nos matamos durante o ano para desfrutar das nossas férias anuais e do nosso merecido descanso. Os anos passam e começamos a planejar nossa aposentadoria, que passa mais rapidamente do que queremos. A velhice traz doença e, finalmente, a morte do corpo acontece. Assim, achamos que nosso tempo acabou. Mas, será?

Compreender o tempo a partir da perspectiva de ser uma alma eterna, desempenhando um papel neste enorme palco do mundo, nos leva a um nível diferente de percepção, no qual o tempo se torna tão importante como a nossa consciência. A vida é uma mistura feliz de ambos.

Trecho de um livro que está para sair. Aguardem:
O Carrossel do Tempo, por Ken O'Donnell

Video "Deep Meditation Experience"


Link para o video em alta resolução. 

6 de novembro de 2015

O custo invisível de conflitos


Há conflitos de todo tipo entre seres humanos. Nesta época de pânico e confusão por causa da crise financeira, eles se tornam mais exacerbados que nunca. Se conflito pode ser definido pelo atrito que acontece quando duas ou mais pessoas ou grupos tentam ocupar o mesmo ‘espaço’ ao mesmo tempo, a possibilidade que isto aconteça neste momento atual de caos, é muito grande.
Este ‘espaço’ pode ser físico no caso de duas pessoas com pressa tentarem pegar o último taxi no ponto. Pode ser emocional quando as partes envolvidas querem possuir as mesmas terras históricas. Pode ser uma briga por incompatibilidade psicológica entre posições, avaliações, interpretações ou ideologias. E geralmente custa caro.
Com tudo que passa, os pavios curtos estão soltos e levam a disfunções nas nossas organizações. Os contatos entre pessoas se tornam mais estressantes e as regras de convivência ficam menos claras. Os relacionamentos, a produção, os planos, os clientes e consumidores e por fim a sociedade e o meio-ambiente – todos sofrem.
Pelo fato de que os conflitos façam uma parte central do convívio humano desde o começo da história registrada pelo menos, dificilmente encontraríamos alguém que nunca tivesse sofrido prejuízo pessoal por causa deles. O problema não são os conflitos em sí mas como os percebemos e lidamos com eles. Bem compreendidos e trabalhados, eles são propulsores de mudanças positivas e necessárias. Se não, podem causar grandes perdas e atrasar nossos melhores planos a pesar das intenções nobres. Frequentemente, não é a melhor idéia que prevalece, mas o ego mais forte ou melhor amparado.
No contexto de empresas, a lista de vítimas de conflitos é grande - oportunidades de negócios perdidas, separação de sócios, desmotivação, alta rotatividade de pessoas, mau atendimento a clientes e eventualmente sabotagem, litígio, assédio e até agressão séria. Dizem que as pessoas não deixam empresas quando pedem as contas. Deixam chefes ou colegas intragáveis.
Pela velocidade alucinante das mudanças e pela defasagem entre o que sabemos fazer o o que temos de fazer,ficamos sem o tempo necessário para compreender e administrar os conflitos no dia-a-dia. A falta de tempo também nos remete a um tratamento superficial e sintomatico dos conflitos sem ir para suas causas verdadeiras. Isso leva a maioria a simplesmente fingir que não acontecem, tentar fugir deles ou abafá-los com os famosos 'panos quentes'. As situações que os conflitos não-resolvidos produzem, perduram e crescem como um cáncer sútil organizacional.

As pessoas realmente só tentam resolvê-los quando são difíceis e caros demais para solucionar. 
Como disse o poeta americano Ralph Waldo Emerson “Só estudamos a geologia depois do terremoto”. O único problema é que o terremoto já causou seus danos.
Quase sempre, os perdedores maiores de conflitos grandes entre interesses econômicos, governos e tradições religiosas são a sociedade e o meio-ambiente. Milhões de pessoas comuns alimentam com suas vidas as guerras e pobrezas causadas pelas intransigências dos políticos As espécies continuam desaparencendo, as floresta minguam e os céus se tornam mais negras e o clima mais quente – muitas vezes pelos embates e degladiações dos ‘líderes’ que não querem ou não podem chegar aos acordos necessários para um mundo sustentável.
Os benefícios que surgem da compreensão para prevenir e lidar com conflitos de uma forma sistêmica são enormes. O lado bom é que conflitos deixam às vistas exatamente os problemas que precisam ser resolvidas e frequentemente apontam às pessoas que precisam entrar, sair ou mudar de lugar na organização.
Imagine uma espécie de ‘egômetro’ na sua empresa capaz de medir o custo de egos exacerbados e seu efeito nos números mensais. Os conflitos definitivamente impactam no balanço. O problema é que são difíceis de medir e portanto ignorados em nome da racionalidade.
Devemos sempre procurar compreender as complimentaridades escondidas nas aparentes incompatibilidades. Há uma história do temor que um rei do atual estado de Gujarat (costa oeste da Índia) tinha quando grandes contingentes de ‘parsis’ chegaram vindo da atual Iran. Eles eram praticantes da religião de Zoroastrianismo (adoradores de fogo) expulsos pelos muçulmanos.
Para mostrar que não havia espaço para dividir com tanta gente, ele mandou um copo grande de leite completamente cheio. A resposta do líder dos parsis foi devolver o copo acrescentado de um pouco de açucar com a mensagem:‘Podemos conviver como leite e açucar’. Assim tem sido até hoje. Não é uma má idéia.

8 de outubro de 2015

Navegando bem no mar dos relacionamentos (2)


Em um post anterior eu escrevi sobre o comércio emocional que acontece nos relacionamentos íntimos. Nós medimos uns aos outros por aquilo que damos ou recebemos. Um dos aspectos que faz com que um verdadeiro intercâmbio de bons sentimentos mútuos seja difícil é a tendência quase onipresente de ver defeitos. Três pessoas estão falando e uma delas vai embora. Os dois que permanecem imediatamente falam sobre quem? Geralmente, sobre aquele que acabou de sair e nem sempre de uma forma cortês.
Certa vez uma mulher me procurou depois de uma palestra pública em São Paulo para perguntar sobre como resolver o problema que estava tendo com seu marido. Nossa conversa foi mais ou menos assim:
- Eu realmente não sei o que fazer com o meu marido. Ele está indo só para o brejo. Ele fica irritado em troca de nada. É muito difícil falar com ele. Ele só me corta. Ele é ... (aqui ela começou a recitar uma lista grande de seus defeitos.)
- Você já tentou falar com ele?- Centenas de vezes! Ele simplesmente não me escuta. Estou realmente preocupada. Ele pode  ter um enfarto a qualquer momento. Às vezes eu acho que ele já está com um pé na cova.
- Ele não pode ser tão terrível assim. Será que ele tem não nenhuma virtude?(Aqui ela ficou em silêncio antes de responder, como se para mostrar que era algo que não estava acostumada a fazer.) Deixe eu pensar. Estou com ele há trinta anos. Ele costumava ser muito generoso e amoroso, mas faz muito tempo que eu não vi sinais disso.
- Você realmente falou com ele sobre isso centenas de vezes?- Não exatamente. Para dizer a verdade, apenas cinco ou seis.
- Você acha que, ao focar-se em seus defeitos, você está ajudando-o a mudar?- Provavelmente que não.
- Vamos dizer que ele esteja fazendo esforço para mudar seu estado terrível. Imagine que ele também tenha se matriculado em um curso de meditação. Ele revelaria este esforço para voce?- Provavelmente que não.
(Aqui eu dei uma imagem que ela não iria esquecer.) Você diz que ele tem um pé na cova. Imagine que ele esteja deitado em um caixão tentando sair. Você sabe onde sua atitude de só ver seus defeitos coloca você? Sentada na tampa!Ela deu um pequeno salto e disse:
- Oh meu Deus do céu! O que devo fazer para ajudá-lo então?- Não significa que você não vai estar ciente de seus defeitos. Mas você tem de treinar-se para ver suas virtudes por detrás deles; é como ver diamantes na forma bruta por entre as pedras.
Nós conversamos um pouco mais e ela partiu determinada a mudar sua atitude.
Este é provavelmente o aspecto mais importante de ser capaz de viver e trabalhar com outras pessoas. Se eu quero que eles melhorem, a última coisa que eu deveria fazer é um rosário de seus defeitos e repeti-los para mim mesmo e para os outros. Eu deveria me enfocar me nas suas especialidades.
A afirmação famosa vem à mente:
Onde vai a atenção, a energia flui.
Onde flui a energia, a vida cresce.

Se eu der atenção a defeitos dos outros, eu os ajudo a cultivá-los não só neles, mas em mim mesmo.
Uma vez eu estava passeando pelas ruas de Budapeste e, apesar de poder ler as placas e outdoors,  eu não sabia o que significavam. (Húngaro é uma das cerca de cem línguas que usa letras romanas igual ao português.)
Da mesma forma, só posso identificar e pensar sobre o significado de defeitos, se eu também "falar a língua deles”. O desafio é ser capaz de se concentrar nas virtudes dos outros, apesar de estar ciente dos seus defeitos. Isto ajuda as pessoas e a mim também. Afinal, nas profundezas da alma, eu também falo a língua de virtudes.