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19 de dezembro de 2016

14 de dezembro de 2016

Maestria da mente (3) - os macacos descontrolados


Que fazer com os macacos soltos na cabeça?

"O objetivo de cada alma é a liberdade, a maestria, a liberdade da escravidão da matéria e do pensamento, a maestria da natureza externa e interna."
Esta é uma frase de Swami Vivekananda, um dos mais respeitados mestres espirituais dos tempos modernos. Ele foi praticamente o primeiro iogue indiano a aparecer antes dos olhos ocidentais. No primeiro Parlamento das Religiões Mundiais, realizado em Chicago em 1893, ele impressionou muitos com sua simplicidade e clareza. Apenas dizendo o óbvio, "Irmãs e irmãos da América!", ele foi aplaudido de pé durante dois minutos pelos sete mil presentes. Em determinado momento, chamou a atenção gentilmente para a prisão das nossas respectivas crenças. Contou a história de um sapo que acreditava que o poço onde morava era o único no mundo sobre o qual queria saber e que se recusava a acreditar que poderia haver outros.
"Isso sempre tem sido a dificuldade. Eu sou um hindu. Estou sentado no meu pequeno poço pensando que ele é o mundo inteiro. O cristão se senta no seu pequeno poço pensando que aquele é o mundo inteiro. O mulçumano se senta no seu pequeno poço pensando que ele é o mundo inteiro."

Esquecemo-nos confortavelmente que crenças e práticas são, na sua maioria, externas ao nosso ser mais profundo. Conforme vamos mais para dentro da experiência do estado interior, nos afastamos de palavras, símbolos, rituais e até mesmo das diferenças religiosas. Apesar das nossas diversas culturas e tradições, somos muito parecidos em nossos núcleos espirituais. É como se a mente estivesse presa em seu estado mais superficial onde ela não tem nenhuma chance de controlar a si mesma.
Em seu livro clássico, 'Raja Yoga', ele compara a mente com as palhaçadas de macacos. Não apenas qualquer macaco, mas um macaco bêbado pelo vinho do desejo, envenenado pelo escorpião do ciúme e possuído pelo demônio do orgulho. Mesmo se sua metáfora seja forte, todos nós podemos compreende-la. É fácil entender que, se apenas ficamos observando as travessuras do macaco, embora podemos acalmá-lo, não poderemos alterá-lo.
Procurando por um paralelo a esta falta de controle na espiritualidade ocidental, me deparei com um clássico inspirado de Thomas à Kempis, A Imitação de Cristo - do século 15.
"Sempre quando um homem deseja alguma coisa além da medida, ele imediatamente se torna inquieto. O homem orgulhoso e avarento nunca está em repouso; enquanto os pobres e humildes de coração permanecem em uma abundância de paz."

Apesar de sua linguagem arcaica, qualquer pessoa de qualquer tradição pode se relacionar com esta explicação das razões para a inquietação mental. Assim, precisamos saber como a mente funciona, a fim de controlá-la.
A partir da experiência de mais de quarenta anos como estudante e professor de meditação Raja Yoga, eu ainda me sinto como um novato quando vejo a infinidade de coisas que ainda preciso aprender sobre meu mundo interior. Posso dizer honestamente que o problema não é a mente em si, mas o que acontece nela. Num nível superficial, a meditação pode ser “não pensar em nada” na tentativa de produzir clareza. Assim dizem os adeptos modernos. Na realidade, tenho que entender o que está criando os milhares de "destroços" na mente e lidar com isso.
Em um nível básico, a mente é como uma praia onde as ondas da atividade mental estão quebrando. Há um mar de experiências passadas e possibilidades futuras que gira para lá e para cá, de uma forma aparentemente aleatória à medida que tentamos lidar com o que está sendo trazido à praia. Se permaneço como uma testemunha passiva do jogo das ondas, posso ficar anestesiado pela incessante inquietude. Eu esqueço que sou o mestre sentado na praia e não apenas um observador impotente. Eu não sou a praia da mente. Eu tenho uma mente. Eu sou o criador do meu mar de experiências e tudo que vem com ele. Eu tenho um intelecto através do qual posso escolher conscientemente o que eu quero pensar e o que fazer com ele, uma vez que eu o criei.
Talvez o maior obstáculo para o controle do mundo interior é a própria palavra "controle". A imagem imediata do controle da mente é alguém fazendo esforços árduos para restringir, regular ou aplicar um freio para as coisas que o mar está jogando na praia.

Na minha própria prática, tenho visto que o poder espiritual e a qualidade da atividade mental estão relacionados. É como se houvesse um interruptor interior do tipo dimmer. Conforme eu aumento meu poder espiritual através da meditação, há luz suficiente para enxergar as coisas claramente. A negatividade desaparece no fundo e um senso de controle natural surge. Conforme eu levo o dimmer para baixo, as sombras voltam trazendo consigo a inquietação.
Um exemplo fácil é entender a relação entre a expectativa e a plenitude. Conforme meu sentimento de plenitude interna sobe, não há nada que desejo ou espero dos outros ou das situações. Conforme ele vai para baixo, todos os tipos de desejos surgem tentando compensar o vazio interior.
Então, toda a questão da maestria mental está relacionada com a quantidade de energia espiritual que posso gerar e acumular. Com a minha bateria interna cheia posso enfrentar qualquer coisa. Se não, as situações quase sempre serão mais fortes que a minha capacidade de lidar com elas, trazendo consigo uma sequência interminável de pensamentos inúteis e negativos.
Então, como carregar a bateria? Vou abordar este tema no próximo post.

6 de dezembro de 2016

Maestria da mente (2) - meditação e mindfulness




Hoje há uma explosão de interesse pela meditação. Um estudo de 2012 nos EUA, publicado pelo National Health Institute, revelou que 8% da população praticou alguma forma de meditação naquele ano. Dentre elas, a meditação ‘mindfulness’ foi a que mais estava crescendo.



Como um estudante e professor de meditação por mais de 40 anos, só posso me sentir feliz que muitas pessoas estão tendo contato com esta prática de vida muito antiga. Dado o caos em que estão nosso mundo e vidas, há uma demanda reprimida por ela. Ao mesmo tempo, sou um pouco cauteloso com o marketing que cerca a meditação.



Na questão de meditação do tipo ‘mindfulness’, por exemplo, há uma infinidade de livros inundando o mercado. Ela aparece como uma panaceia para muitos áreas da sociedade. Títulos como “Algo” Mindful abundam. Basta substituir o “Algo” por Trabalho, Comer, Fazer Exercício, Liderança, Criança, Adolescente, Ser Pai e temos a promessa de um mundo maravilhosamente consciente. Fazer todas essas coisas de maneira mais 'mindful' obviamente traz benefícios.



Infelizmente, como tantas das terapias que aparecem de vez em quando, nenhuma delas pode ser a resposta para tudo. A forma como a ‘mindfulness’ é apresentada, faz com que ela pareça como algo inventado recentemente. Como se a prática da meditação não existisse há milhares de anos! Sabemos que a meditação em diferentes formas sempre esteve disponível para resolver nossos problemas da vida.



Para completar a inserção da ‘mindfulness’ no mainstream ocidental, até mesmo a palavra ‘meditação’ tem sido abandonada por muitos, de modo que não esteja mais associada a qualquer prática espiritual ou religiosa, de acordo com suas raízes budistas.

Os expoentes da ‘mindfulness’ dizem que seu objetivo não é controlar a mente. De acordo com a crença popular e as razões descritas no blog anterior*, sobre nossos músculos flácidos mentais e emocionais, eles dizem que não é possível ter tal controle. Em vez de controlar pensamentos, a ideia é observa-los. Assim, acalmamos sua atividade, aprendemos a lidar com a ansiedade e assim por diante.



Tudo isso é verdade. Só de praticar pausas significativas nas nossas vidas frenéticas e concentrar-nos na entrada e saída regular do ar em nossa respiração enquanto observamos o movimento da mente, do corpo e do mundo ao redor, é uma maneira definitiva de nos desacelerar e nos sentirmos calmos.



No entanto, tentar fazer isso em meio a uma crise grande é outra história. Por exemplo, diante de:

  • Notícias relacionadas a uma doença terminal de alguém próximo ou de nós mesmos
  • Uma calamidade natural ou humana
  • Ser roubado de todo o dinheiro e documentos
  • Passar por um divórcio
  • Perder um emprego
  • Envolver-se em um grave acidente de trânsito

A capacidade de estabilizar a mente em um segundo em tais situações requer uma longa prática e uma compreensão mais completa das razões por detrás dos acontecimentos. Especialmente sobre o funcionamento interno do ser, através da mente e do intelecto. Os traços de defiotos na personalidade, profundamente enraizados, não podem ser transformados pelo simples ato de acalmar-se. Isso exige aquilo que os antigos chamavam de tapasya - um estado intenso de compreensão e conexão com o ser e o divino, que poderia queimar as sementes dos mesmos. Em outras palavras, é possível mudar aspectos básicos da nossa personagem através da meditação, mas não qualquer meditação. Tem que ir além do primeiro passo de atenção plena.

O que muitos não sabem, é que o mindfulness está relacionado com a prática de sati, uma das sete etapas para a iluminação no budismo. Em 1881, Thomas William Rhys Davids, um magistrado britânico no então Ceilão (atual Sri Lanka), teve de julgar vários conflitos eclesiásticos budistas. Ao analisar textos sagrados em pali, a língua antiga do Budismo Theravada, ele sugeriu pela primeira vez a palavra "mindfulness" como sinônimo de "atenção" e como uma tradução aproximada do conceito budista de sati.
Sati, e seu homólogo sânscrito, smṛti, significam basicamente consciência, ou o que nos lembramos. Ou, mais simples ainda, lembrança, dependendo do contexto. Uma das primeiras etapas em tradições antigas védicas de meditação é estabilizar o smti, usando diversas técnicas. Uma vez que o próprio Buda nasceu centenas de anos após a meditação védica ter criado suas raízes, ele e seus seguidores provavelmente tiveram contato com estas tradições. Isso certamente é aparente nas muitas similitudes na prática de meditação, especialmente em relação ao sati.

Ao separar o sati das outras seis etapas para a iluminação, e tratar de ocidentalizá-lo, como aconteceu com tantos outros caminhos espirituais, pode ser que tenhamos perdido a sua essência. Há tanta banalização, cursos e "especialistas" de mindfulness, em uma procura de novas maneiras de ganhar dinheiro. Em meio a tudo isso, podemos estar enganando a nós mesmos achando que a simples experiência de ‘nos sentirmos bem’ possa resolver nossas questões mais profundas... enquanto as mentes continuam tão descontroladas como sempre.

Afinal, um dos princípios centrais do budismo é que não dá para escapar do sofrimento. Devemos entendê-lo e dar um jeito nele. Isso exige um trabalho um pouco mais fundo do que apenas entrar em um estado de atenção plena agradável. Os outros seis passos foram, de fato, essenciais para completar a jornada.

No próximo blog vou compartilhar acerca de um dos maiores mestres de meditação dos tempos modernos, Swami Vivekananda, que aborda toda a questão de controlar nossas mentes a partir de um ângulo diferente. Vamos ver como sati e smriti são exatamente a mesma coisa. Fiquem atentos.

5 de dezembro de 2016

Apresentação - Como sustentar-se internamente

Como prometido para os participantes do retiro, Como sustentar-se internamente a pesar de tudo, na Portal da Paz, perto de Belo Horizonte, Brasil.
O link para a apresentação está aqui.
 

26 de novembro de 2016

Maestria da mente (1) - o papel dos nãos



Quantos milhares de ‘nãos’ uma criança ouve até os seus seis anos de idade?

Não faça isso. Não toque nisso. Não responda.

Mesmo a palavra ‘infante’ significa ‘aquele que não fala’ - aquele que se cala e fica amuado em um canto. Ao longo da vida, e de forma silenciosa, vamos construindo uma resistência aos ‘nãos’. Entramos em apuros quando a nossa curiosidade se torna mais forte que a tentação e acabamos desobedecendo os nossos pais ou professores. Escutar um não se torna um problema perene.

A maioria das tradições religiosas têm também os seus mandamentos.

Não roube. Não minta. Não cometerás adultério ou violência.

Mesmo assim, não percebemos que a criação de listas de regras morais e sociais não garante que as pessoas consigam segui-las. O primeiro mandamento de amar a Deus antes de tudo é colocado de lado de acordo com a conveniência do momento. Ele é o último em quem pensamos, sobretudo quando as coisas dão errado e começamos a sofrer.

Certa vez uma pessoa próxima tornou-se presidente da câmara municipal de São Paulo. Ele me disse que um dos seus objetivos era reduzir as 11.000 leis locais para 8.000. Mesmo que o número tivesse diminuído no seu mandato, parece que o comportamento das pessoas não tenha alterado de forma significativa. Elas ainda jogam lixo na rua e estacionam em lugares errados. Tanto é assim, que a chamada ‘indústria das multas’ tornou-se uma importante fonte de renda para a cidade.
Em essência, o progresso tem significado mais leis, mais juízes e advogados e ainda mais infratores e prisões. O padrão se repete.

Muitos anos atrás, eu tinha acabado de voltar de uma longa viagem ao exterior. Durante minha ausência, o presidente fez uma desastrosa tentativa de conter a inflação galopante do país, algo do qual eu sabia vagamente. Ao visitar o sul do Brasil, fui convidado a participar de um debate tipo painel, na TV ao vivo, sobre assuntos atuais. Muito rapidamente o principal assunto no painel foi o de atacar o presidente. Quando chegou a minha vez, sem justificar o que o presidente tinha feito, eu mencionei que sentia compaixão por qualquer líder neste mundo caótico, que tentava controlar o que as pessoas fazem, quando individualmente quase ninguém faz um esforço para controlar suas ações e muito menos suas mentes. Esta posição mais espiritual imediatamente tornou-se o foco das críticas dos painelistas.

Talvez se alguém mais no começo das nossas vidas tivesse nos ensinado como controlar nossas mentes, todo o caos e os inúmeros regulamentos que tentam contê-lo seriam muito menores. O problema é que não existem candidatos para ensinar o ‘controle dos pensamentos’. Aqueles que são “nossos mais velhos” também não aprenderam esta arte. Alguém que simplesmente dizia ‘não’  não conseguiu substituir em nós uma compreensão e controle naturais do que fazer e do que não fazer.

Foi assim que crescemos com músculos mentais e emocionais muito flácidos. Muitos que começam a prática de meditação afirmam que ela não funciona. Eles esquecem que, exceto para os poucos sortudos, suas mentes nunca trabalharam num estado óptimo.

Aprendemos a falar, andar, cantar e até mesmo cozinhar. Ninguém jamais nos ensinou como pensar. A atenção fica pulando como abelhas em um campo de flores. Podemos estar sujeitos a até 100.000 destroços da mente em um dia*. Pensamentos, sensações, memórias, inspirações, ideias, sentimentos e desejos – todos disputam uma posição privilegiada na tela das nossas mentes. Enquanto isso, observamos o caleidoscópio que esta falta de controle produz a partir da realidade externa. Tentar enxergar claramente as coisas através destes pedacinhos da vida flutuantes é um desafio permanente. É por isso que sentar-se, ir para dentro e dar de frente com uma mente descontrolada, não encoraja muitos a praticarem a meditação.

O que fazer? Aprender a ter maestria sobre a mente ou permitir que ela continue do jeito que é?

No próximo blog vou falar sobre este aspecto e sobre o que é chamado meditação mindfulness comparando com formas mais antigas de meditação.

1 de maio de 2016

Auto soberania - indo além do ego limitado

Aqui é o material do retiro que conduzi sobre este tema em Serra Negra nos dias 30/04 e 01/05/2016:
Apresentação Powerpoint.
Video da meditação.
Análise das virtudes.

12 de março de 2016

Contemplação - exercícios em silêncio


Estes são alguns exercícios que propus para os participantes de um retiro de silêncio no Centro de Retiros Om Shanti perto de Delhi. Eles são baseados na prática de Raja Yoga e abrangem os aspectos mais básicos. Você vai observar que o primeiro passo é muito semelhante ao que as pessoas chamam de mindfulness.

Praticar os exercícios a seguir de novo e de novo, de modo que, gradualmente, você não precisa ler o texto, mas que eles se tornem registrados em você.

1. Centrar-se no presente

Sente-se com seus olhos ligeiramente abertos. Torne-se consciente do mundo ao seu redor. Ouça os sons que te rodeiam. Perceba as cores e formas. Sinta o ar que  inspira e expira. Sinta que você está no centro de 360​​°de atividades em torno de você mesmo. O passado terminou e o futuro ainda não começou. Você está literalmente no momento presente. É o único tempo real que você tem. Aprecie-o por cinco minutos sem pensar muito. Basta ter atenção plena no que está acontecendo ao seu redor.

2. Centrar-se na consciência da alma

Assim como você está sentado em seu assento fisicamente, imagine um lugar sutil alguns centímetros atrás do ponto entre as sobrancelhas. É a sede onde a energia consciente ou a alma se senta. Todos os pensamentos, sentimentos, desejos e ideias, bem como as sensações do corpo chegam a este ponto para ser processados. Sentado neste assento sutil, você aprecia as informações que chegam e decide sobre a direção que você quer tomar. Passe alguns minutos nessa consciência de ser a alma trabalhando através do corpo físico. Disfrute a sensação de comando que isso lhe dá.

3. No centro da sua vida

Como um ser espiritual, você não está apenas no centro de tudo o que está acontecendo ao seu redor, mas você está no centro de sua vida. Há uma rede de papéis, relações e responsabilidades que se espalha a partir de você. Você está conectado através deles com pessoas, objetos e situações. Assim como o centro de um círculo não se move, você está quieto e calmo no centro de sua vida e atividades. Conforme você se torna mais tranquilo, isso tem um efeito imediato sobre tudo o que está ligado a você. Sem mover internamente, aproveite para servir toda a sua rede com vibrações pacíficas. Esteja ciente de que você é o criador da realidade de sua vida.

4. Experimentando sua eternidade

Torne-se centrado na consciência de ser a alma no corpo. Observe o mundo físico ao seu redor, sem pensar muito. Observe as situações atuais em que você se encontra, como se você estivesse assistindo as cenas de um filme. Como um ser espiritual passando por esta experiência humana, esteja ciente de que em algum momento no passado, você entrou neste corpo físico, quando ele ainda estava no ventre de sua mãe. Você nasceu, cresceu, passou por muitas experiências e agora você está meditando sobre a sua verdadeira natureza. Em algum momento futuro, você, a alma, deixará seu corpo e continuará a sua jornada. Esta vida então se torna um capítulo de um livro. Você é a energia que dá vida a todo o livro e não apenas a este capítulo. Você é a energia consciente que continua. Você veio de sempre. Você continuará para sempre. Porque você não tem qualquer tamanho ou dimensão física, nada pode destruí-lo. Você é eterno. Fique nessa consciência por alguns minutos.

5. O estado interior de paz, amor e felicidade

Quando você está em um estado de descanso, como descrito acima, tem a oportunidade de experimentar as qualidades mais profundas que são inatas à alma. Torne-se o observador e experimente que, quando você está quieto, há paz, amor e felicidade naturais. Estas são qualidades que sempre estiveram na alma. À medida que avançamos de uma vida para outra (ou de um capítulo para o outro), muitas coisas são gravadas em cima dessas qualidades originais. Com o tempo, você acaba esquecendo-as. Elas ficam enterradas pelos desejos e considerações momentâneos. Desde que você tenha voltado para o seu centro interior, agora pode apreciar a diferença entre o que você realmente é profundamente e o que você se tornou, neste momento em sua vida. Permaneça alguns minutos neste estado profundo de prazer espiritual.

6. Ligação com Deus, fonte de poder espiritual

Como uma alma, você não é feito de energia material. Sua existência está em outra dimensão também. Há uma dimensão de luz sutil para além deste universo físico, que as diferentes tradições religiosas chamamos de céu, nirvana ou simplesmente, o lar das almas. Aquele que nós chamamos de Deus, Alá, Javé ou Shiva também reside lá. Temos tentado fazer a religação com Ele na oração muitas vezes.
Ao ficar centrado na consciência da alma e nas suas qualidades inatas de paz, amor e felicidade, você gradualmente se afasta da dimensão física e se torna um observador silencioso. Internamente, você fica consciente dessa dimensão de luz e se aproxima Daquele que é como um sol sutil, irradiando poder espiritual. Mentalmente, visualize o encontro entre a alma e Deus. Abra-se para receber os raios deste poder espiritual. Você vai se sentir como se sua bateria estivesse sendo recarregada, que o seu amor, paz e felicidade estão realmente sendo ativadas. Permaneça nesse estado de profunda apreciação de sua conexão com a Fonte, por mais alguns minutos.

7. Relacionamento com Deus

Deus não é apenas a fonte de poder espiritual, mas também é a essência de todos os relacionamentos. Concentre-se na consciência da alma e fique mentalmente conectado com Deus, como no exercício anterior. Inicie uma conversa com Ele em qualquer um dos relacionamentos que você considera importante. Ele é a Mãe, Pai, Professor, Guia, Amigo, Amado e assim por diante. Imagine que a conexão entre você e Deus gira em torno dessa relação. Inicie e continue uma conversa durante o tempo que você quiser do seu lado da relação - como filho, estudante, seguidor, amigo, amante e assim por diante. Deixe-se aberto para as respostas que vierem para você na conversa. Permaneça nesta intercâmbio amoroso por alguns minutos e retorne recarregado e pronto para enfrentar as situações de sua vida.